Cristina Kirchner e filho iniciam julgamento dos casos Hotesur e Los Sauces
A primeira audiência ocorreu por videoconferência em Buenos Aires; os dois são acusados de lavagem de dinheiro e associação criminosa e negam irregularidades.
Resumo em 30 segundos
Cristina Kirchner e o deputado Máximo Kirchner participaram da primeira audiência do julgamento que reúne os casos Hotesur e Los Sauces, em Buenos Aires. O processo tem 19 acusados e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e associação criminosa em negócios ligados à família. A defesa afirma que as operações foram legais.
A ex-presidente argentina Cristina Kirchner e seu filho, o deputado Máximo Kirchner, participaram nesta sexta-feira (23), por videoconferência, da primeira audiência do julgamento que reúne os casos Hotesur e Los Sauces, em Buenos Aires. Os dois são acusados de lavagem de dinheiro e associação criminosa em negócios hoteleiros e imobiliários ligados à família; eles negam irregularidades.
O processo tem 19 acusados e investiga operações realizadas durante os governos de Néstor Kirchner, marido de Cristina, entre 2003 e 2007, e dela própria, de 2007 a 2015. A audiência durou quase três horas e foi dedicada à leitura de parte da acusação. O tribunal prevê sessões às segundas, sextas e sábados, e o julgamento pode se estender por dois anos.
Segundo o Ministério Público, a família teria recebido dinheiro de empresários beneficiados por contratos públicos por meio de aluguéis de quartos de hotel e de imóveis. A acusação afirma que alguns contratos seriam fictícios e teriam sido usados para apresentar os valores como receitas legais. O órgão aponta Cristina como chefe de uma associação criminosa e Máximo como organizador. Se condenados, ambos podem receber penas de até dez anos de prisão.
Hotesur e Los Sauces são os nomes das empresas hoteleiras e imobiliárias da família investigadas no caso. A acusação sustenta que os negócios teriam servido para movimentar recursos de origem ilícita; os advogados de Cristina e Máximo afirmam que as operações foram legais, feitas pelo sistema bancário e declaradas às autoridades fiscais.
Cristina, de 73 anos, acompanhou a sessão do apartamento em Buenos Aires onde cumpre prisão domiciliar. Máximo, de 49 anos, participou ao lado dela. O julgamento é o primeiro por corrupção contra o deputado e o terceiro contra a ex-presidente. Florencia Kirchner, filha mais nova de Cristina, não é ré no processo.
Cristina e Máximo haviam sido absolvidos em 2021, mas um tribunal superior anulou a decisão em 2023. A ex-presidente cumpre desde junho de 2025 pena de seis anos por administração fraudulenta em uma concessão de obras públicas, condenação que também a tornou inelegível para cargos públicos por toda a vida.
Desde novembro de 2025, Cristina enfrenta outro julgamento, relacionado a uma suposta rede de subornos envolvendo empresários e funcionários durante os governos dela e de Néstor. Em julho passado, ela levou seu caso ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, alegando arbitrariedade judicial para afastá-la da política.