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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Defesa de Leopoldo Luque chama médico de bode expiatório no julgamento

O Ministério Público pede 12 anos de prisão para o neurocirurgião, acusado de homicídio com dolo eventual pela morte de Maradona, em 2020.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sala de tribunal vazia, preparada para uma sessão de julgamento. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sala de tribunal vazia, preparada para uma sessão de julgamento.
Resumo em 30 segundos

Na fase final do julgamento pela morte de Diego Maradona, a defesa de Leopoldo Luque afirmou que o médico é um bode expiatório e contestou as conclusões da acusação sobre o estado de saúde do ex-jogador. O Ministério Público pede 12 anos de prisão para Luque. A sentença pode levar meses.

A defesa do neurocirurgião Leopoldo Luque afirmou nesta quarta-feira, 21 de outubro, que o médico é um “bode expiatório” no julgamento pela morte de Diego Maradona, em Tigre, na Argentina. Luque é o principal réu do processo, e o Ministério Público pede para ele 12 anos de prisão por homicídio com dolo eventual, acusação que pressupõe que o acusado poderia prever que suas ações ou omissões levariam à morte.

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, durante uma internação domiciliar. A causa foi uma parada cardiorrespiratória acompanhada de edema pulmonar. Três semanas antes, o ex-jogador havia passado por uma cirurgia para tratar um hematoma subdural, na Clínica Olivos, intervenção promovida por Luque, que não foi o cirurgião principal.

Nas alegações finais, o advogado Roberto Rallín disse que a defesa pretende sustentar a inocência do médico com provas, e não com “slogans televisivos”. A equipe contesta a acusação de que a morte poderia ter sido evitada e afirma que Maradona não apresentava sinais de alerta de risco iminente. Segundo os advogados, o episódio fatal foi repentino e imprevisível.

A acusação se apoia, entre outros elementos, nas conclusões de uma junta médica formada por cerca de 20 especialistas. O grupo descreveu o atendimento prestado durante a internação em casa como “inadequado, deficiente e temerário” e apontou problemas cardíacos, renais e hepáticos no paciente.

O advogado Francisco Oneto contestou a avaliação sobre o coração de Maradona, chamando-a de “um preconceito”. Ele afirmou que o órgão havia se recuperado de um episódio cardíaco anterior e questionou a junta por, segundo ele, tratar o histórico como um dado comprovado. Oneto reconheceu que Maradona tinha problemas renais, mas disse que eram assintomáticos e não poderiam ser detectados; também sustentou que o fígado estava em bom estado. Cerca de dez testemunhas, porém, disseram que o ex-jogador sofria de cirrose.

Luque foi médico pessoal de Maradona nos anos anteriores à morte e se tornou uma referência para o ex-atleta, com quem começou a se relacionar profissionalmente em 2016. O médico também servia de intermediário para consultas com outros especialistas. No início do julgamento, afirmou: “Eu gostava muito dele, eu o amava. Ele era meu ídolo e meu amigo”. Também declarou ser inocente e lamentar a morte.

Além de Luque, outros cinco profissionais de saúde respondem por homicídio. O Ministério Público pede penas de quatro a 12 anos para eles e solicitou a absolvição de um sétimo acusado. A fase de debates termina nesta quinta-feira, e o tribunal poderá levar meses para anunciar a sentença.

Para entender

Dolo eventual
É uma modalidade de imputação em que se considera que a pessoa assumiu o risco de produzir determinado resultado, embora não necessariamente tivesse a intenção direta de causá-lo. A definição e a aplicação dependem da legislação e da análise do caso concreto.

Fontes: Zero Hora

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