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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Copom mantém Selic em 13,75% e pausa cortes após cinco reuniões

Decisão unânime foi tomada na quarta-feira, 4 de novembro, após a piora das expectativas de inflação; Banco Central não indicou os próximos passos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada do Banco Central em Brasília, com pedestres ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada do Banco Central em Brasília, com pedestres ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu cinco cortes consecutivos. O Banco Central apontou expectativas de inflação mais elevadas e atividade econômica em desaceleração, mas não sinalizou o próximo movimento. A projeção de inflação no horizonte relevante subiu de 3,2% para 3,5%.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos. A decisão, tomada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reflete a piora das expectativas de inflação e foi unânime, segundo o comunicado do colegiado.

As reduções anteriores foram de 0,25 ponto percentual cada e ocorreram em março, abril, junho, agosto e setembro. A pausa contrariou a expectativa de parte dos analistas de que haveria mais um corte nesta reunião. O Copom não indicou qual será o próximo movimento e afirmou que o cenário exige “serenidade e cautela”.

O comitê descreveu um quadro mais difícil para a política monetária, que busca controlar a inflação por meio da taxa de juros. O comunicado apontou a combinação de juros em nível “substancialmente contracionista”, incertezas maiores, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração mais intensa da atividade econômica doméstica.

A Selic é a principal referência para o custo do crédito no país e influencia outras taxas de juros, como as cobradas em empréstimos e financiamentos. Quando o Banco Central a mantém elevada, o objetivo é conter a demanda e reduzir pressões sobre os preços; o efeito, porém, também pode ser uma atividade econômica mais lenta.

O Copom destacou a perda de ancoragem das expectativas de inflação em relação à meta de 3%, inclusive em horizontes mais longos. Expectativas desancoradas podem influenciar decisões de preços e salários, tornando mais custoso trazer a inflação de volta à meta, segundo o comitê.

A projeção do Banco Central para a inflação no horizonte relevante subiu de 3,2% para 3,5%. O colegiado relacionou parte da revisão a choques de oferta incorporados desde a reunião anterior. A estimativa se refere ao segundo trimestre de 2028, enquanto a projeção anterior era para o primeiro trimestre daquele ano.

O boletim Focus divulgado na terça-feira (3) também mostrou revisão das expectativas do mercado. A projeção para a Selic no fim de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano, enquanto a estimativa para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 5,19% para 5,22%. O teto da meta de inflação é de 4,5%.

A desaceleração econômica foi um dos fatores que o Copom colocou em equilíbrio com a pressão inflacionária. O comunicado mencionou que a atividade perde força de forma mais acentuada e que há sinais recentes de arrefecimento no mercado de trabalho, embora ele ainda seja resiliente. Essa combinação ajuda a explicar por que o comitê manteve os juros, mas não sinalizou uma alta.

Economistas divergiram sobre o tom da comunicação. Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, avaliou que o texto foi menos duro do que esperava e deixou as próximas decisões em aberto. Para ele, as referências à atividade mais fraca e à Selic restritiva contrabalançaram o alerta sobre a inflação.

Cláudio Ferraz, economista-chefe da Galapagos Capital, considerou a decisão correta e a comunicação dura, mas disse que a ata da reunião, prevista para a próxima semana, poderá esclarecer melhor a avaliação do Copom. A empresa prevê manutenção dos juros nos próximos meses e considera que as incertezas sobre a política fiscal do governo reeleito serão relevantes para uma eventual retomada dos cortes.

Já Camila Faria Lima, economista-chefe da Canvas Capital, interpretou o comunicado como ligeiramente mais conservador. Ela afirmou que a piora das projeções de inflação tornou difícil justificar outro corte nesta reunião, apesar da desaceleração econômica. Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, classificou o texto como cauteloso e enxuto, sem indicação dos próximos passos.

A decisão ocorre em meio à expectativa por definições da política econômica do novo governo. O Banco Central não antecipou como essas medidas poderão afetar os juros e não se comprometeu com manutenção ou mudança da Selic nas próximas reuniões. A taxa poderá voltar a ser reduzida ou subir conforme a evolução da inflação, da atividade e das expectativas, mas o comunicado não apontou um calendário para qualquer alteração.

Fontes: Valor Econômico, Gazeta do Povo, Estadão

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