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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Cooperativas de crédito somam R$ 1 trilhão em ativos no Brasil

O setor reuniu mais de 21 milhões de associados em 2025, mas juros altos e inadimplência devem desacelerar o crescimento, estima o CEO do Sicredi.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Atendente conversa com uma cliente em uma cooperativa de crédito. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Atendente conversa com uma cliente em uma cooperativa de crédito.
Resumo em 30 segundos

As cooperativas de crédito brasileiras chegaram a R$ 1 trilhão em ativos e mais de 21 milhões de associados em 2025. O CEO do Sicredi, Cesar Gioda Bochi, prevê expansão mais próxima de 10% do que de 20% ao ano no curto prazo. Mesmo assim, o setor vê espaço para crescer, sobretudo no Norte e no Nordeste.

As cooperativas de crédito brasileiras somaram R$ 1 trilhão em ativos e reuniram mais de 21 milhões de associados em 2025, após uma década em que os depósitos do setor cresceram pelo menos 20% ao ano. Para Cesar Gioda Bochi, CEO do Sicredi, o segmento ainda tem espaço para avançar, embora os juros altos, a pressão sobre a renda e a inadimplência devam moderar a expansão no curto prazo.

Bochi estima que o crescimento possa ficar mais perto de 10% do que de 20% ao ano, ainda acima do ritmo esperado para o restante do mercado financeiro. O executivo afirmou que a conjuntura exige cautela para proteger o patrimônio dos associados e manter um crescimento sustentável. Projeções do Banco Central também apontam expansão de dois dígitos no médio prazo, mas em ritmo menor que o observado na última década.

O Sicredi, fundado no Rio Grande do Sul há 124 anos, é a cooperativa de crédito mais antiga do país e concentra metade dos ativos do setor, segundo os dados apresentados. A instituição passou de 5 milhões de clientes em 2021 para mais de 10 milhões em fevereiro de 2026. No conjunto do cooperativismo brasileiro, há cerca de 23 milhões de associados, que representam 79,1% dos 29 milhões de vínculos cooperativos registrados no país.

Cooperativas de crédito são instituições financeiras formadas por associados, que também participam de sua propriedade e dos resultados. Elas oferecem serviços como contas, empréstimos e aplicações, e se diferenciam de bancos tradicionais pela gestão cooperativa e pela relação direta com os membros. O Sicredi afirma atender diferentes perfis, do pequeno produtor rural e do pequeno empresário a empresas de maior porte e pessoas físicas de várias faixas de renda, com cerca de 300 produtos e serviços.

A expansão recente também aparece na comparação com o restante do sistema financeiro nacional. Em 2025, a carteira de crédito das cooperativas cresceu 13,1%, ante 8,5% nos demais segmentos do sistema. Ainda assim, o cooperativismo representa cerca de 8% do mercado brasileiro, participação que Bochi considera distante de um limite. Ele citou a França como referência: sistemas como Crédit Agricole, BPCE e Crédit Mutuel concentram juntos mais de 60% do mercado financeiro francês.

O dirigente disse que o modelo busca crescer com atendimento próximo e relações de longo prazo, em vez de priorizar a escala digital característica de bancos digitais e fintechs. Segundo ele, a indicação entre associados tem papel importante na atração de novos clientes. A instituição também vê potencial em regiões onde a presença cooperativista é menor, sobretudo no Norte e no Nordeste.

A diferença regional é expressiva: no Sul, 26,3% da população está associada a cooperativas, enquanto no Nordeste a proporção é de 1,6%. Gustavo Freitas, diretor de Crédito e Segmentos do Sicredi, relacionou oportunidades de expansão à migração de pessoas e ao avanço da fronteira agrícola, que estariam levando a cultura cooperativista do Sul para o Centro-Oeste e o Norte.

Tiago Schmidt, presidente da Sicredi Pioneira, afirmou que o cooperativismo tende a ser mais forte em áreas com maior desenvolvimento econômico e social. Ele apontou experiências internacionais como evidência de que o modelo pode alcançar uma parcela maior da população. Nos Estados Unidos, as cooperativas de crédito reúnem mais de 145 milhões de membros, equivalentes a 44% da população, e administram mais de US$ 2,5 trilhões em ativos, distribuídos por 4,2 mil instituições. Na Irlanda, o número de cooperados supera a população, segundo Schmidt.

A presença local também pode ter efeitos econômicos além dos serviços financeiros. Um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) estima que a existência de uma cooperativa de crédito em um município reduz em cerca de 25% o acesso da população a programas de assistência social. A pesquisa associa a presença da instituição à ampliação da autonomia econômica local.

Em dados apresentados pelo Sicredi em Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, a instituição calculou um benefício econômico direto de R$ 31 bilhões para seus associados em 2025. O valor corresponderia a uma economia média de R$ 3 mil por associado no ano, resultado de juros menores em operações de crédito e remuneração mais alta em aplicações financeiras. O cálculo foi apresentado durante um encontro com jornalistas e formadores de opinião de 17 estados.

Para entender

Cooperativa de crédito
É uma instituição financeira formada por associados, que participam da propriedade e dos resultados. Pode oferecer serviços como contas, empréstimos e aplicações. A gestão cooperativa e a relação com os membros a diferenciam de um banco tradicional.

Fontes: Gazeta do Povo

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