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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Liquidante do Master pede bloqueio de US$ 42 milhões de jato de Vorcaro

A liquidante do Banco Master pediu a uma corte nos Estados Unidos que preserve US$ 42 milhões ligados à revenda de um jato de Daniel Vorcaro.

Por Ricardo Vasconcelos 3 min de leitura
Jato executivo estacionado em um hangar de aeroporto, sob iluminação discreta. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jato executivo estacionado em um hangar de aeroporto, sob iluminação discreta.
Resumo em 30 segundos

A EFB Regimes Especiais pediu a uma corte de falências dos Estados Unidos que preserve US$ 42 milhões ligados à revenda de um Gulfstream G700. Segundo a liquidante do Banco Master, a aeronave foi comprada com recursos retirados do banco e controlada por Daniel Vorcaro. O jato passou por duas revendas após ser localizado na Europa.

A EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação do Banco Master, pediu nesta sexta-feira, 2, a uma corte de falências nos Estados Unidos que impeça a dissipação de US$ 42 milhões retidos em uma conta de custódia. O dinheiro está relacionado à venda de um jato Gulfstream G700 que, segundo a liquidante, foi comprado integralmente com recursos retirados do banco e era controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Em petição apresentada à Justiça, a EFB solicita a criação de um mecanismo de proteção e a imposição de um penhor equitativo sobre os valores mantidos pela Insured Aircraft Title Services (IATS), empresa que administra a conta. A liquidante também pede que transferências consideradas fraudulentas sejam anuladas e que a PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A. seja responsabilizada por danos e enriquecimento ilícito.

A aeronave, adquirida por US$ 79,44 milhões em dezembro de 2023, foi comprada formalmente pela Domus, empresa que antes se chamava Prime Aviation 2. De acordo com a petição, a estrutura societária ocultava o controle de Vorcaro, e a Domus foi usada para intermediar a aquisição do jato.

A EFB afirma ter rastreado todas as parcelas da compra e concluído que o valor saiu da tesouraria do Banco Master. Os recursos teriam sido convertidos em dólares por meio de uma conta do banco no JPMorgan Chase, em Nova York, e enviados à Gulfstream, fabricante da aeronave.

Antes de chegar à conta da fabricante, o dinheiro passou por fundos de investimento e empresas como Astralo, Máxima, FIP Lunar, Entre Investimentos e Super Empreendimentos. Segundo a liquidante, essas estruturas funcionavam como intermediárias sem finalidade comercial legítima na operação. A petição também aponta transferências para a Mosaic Financial Ltd., associadas ao custeio de um trust em benefício de Vorcaro e ao pagamento de despesas pessoais em cartões de crédito.

A Domus era formalmente controlada pela Entre Investimentos e Participações, ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. A empresa havia firmado, em 2021, um contrato para vender suas ações ao FIP Lunar, mas, segundo a EFB, a transferência não se concretizou e a Entre continuou como controladora formal. Freixo Júnior é apontado pelas investigações como cúmplice no esquema de fraude e assinou um acordo de delação premiada no âmbito das apurações sobre o Master.

O jato foi entregue e registrado no Brasil em junho de 2025, em nome da PS-MGG, descrita na petição como parte da estrutura de propriedade fracionada controlada por Vorcaro. A EFB afirma que ele usava a aeronave em viagens pessoais, incluindo deslocamentos a Miami e à Sardenha.

Em 6 de novembro de 2025, onze dias antes da prisão de Vorcaro e doze dias antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master, o transponder do avião foi desligado. A liquidante e seus assessores localizaram o jato em um hangar privado no Aeroporto de Basileia-Mulhouse-Freiburg, na região de fronteira entre França e Suíça.

A petição descreve duas revendas posteriores. Em 31 de dezembro de 2025, a PS-MGG vendeu a aeronave à Jetcraft Global (UK) Limited por US$ 86 milhões. Em 17 de fevereiro de 2026, a Jetcraft a revendeu à Flexjet LLC por US$ 87,5 milhões.

A Flexjet depositou o valor em uma conta administrada pela IATS. A liquidante afirma que a empresa repassou pelo menos US$ 42 milhões à PS-MGG, enquanto quantia equivalente permaneceu retida. A EFB diz ter obtido e-mails entre representantes da Jetcraft e da Flexjet que indicariam conhecimento sobre a propriedade beneficiária de Vorcaro e sobre a venda durante a crise de liquidação do banco.

A defesa de Vorcaro não respondeu. A corte ainda deverá avaliar os pedidos da liquidante, que invoca a legislação brasileira sobre falências e liquidação de instituições financeiras, além de leis estaduais dos Estados Unidos.

Quem é quem

Banco Master
Instituição financeira brasileira que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central, segundo a matéria. A EFB Regimes Especiais atua como liquidante e afirma rastrear recursos que teriam sido usados na compra de um jato ligado a Daniel Vorcaro.
Daniel Vorcaro
Banqueiro associado ao Banco Master. Segundo a petição descrita na matéria, era o beneficiário final e controlador da estrutura empresarial ligada à aeronave Gulfstream G700, adquirida, de acordo com a liquidante, com recursos retirados do banco.
Gulfstream G700
Aeronave executiva fabricada pela Gulfstream Aerospace. O jato citado na matéria foi adquirido formalmente pela empresa Domus em 2023 e, conforme a petição da liquidante, revendido posteriormente à Jetcraft e à Flexjet.

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