Pix avança mais onde crédito é menor e amplia inclusão financeira
Análise da Fin associa a expansão das transações por pessoa entre 2020 e 2025 ao avanço da inclusão financeira em regiões com menor acesso ao crédito.
Resumo em 30 segundos
O uso do Pix cresceu mais entre 2020 e 2025 nos Estados onde o crédito tinha menor presença na economia, aponta estudo da Fin. A análise também registra avanço da bancarização em todas as regiões entre 2020 e 2024. Pesquisas anteriores citadas no levantamento associam o Pix a outros efeitos econômicos e sociais.
O crescimento do Pix entre 2020 e 2025 foi mais acelerado nos Estados onde o crédito tinha menor presença na economia, segundo estudo da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin). A análise sugere que o meio de pagamento instantâneo, lançado pelo Banco Central em 2020, ampliou o acesso a serviços financeiros e pode ter contribuído para reduzir diferenças regionais.
O levantamento comparou a evolução do número de transações por pessoa física com a penetração do crédito nos Estados. A expansão foi maior nos locais em que o crédito representava uma parcela menor da economia, padrão que, segundo o estudo, indica a entrada de novos usuários no sistema financeiro. De 2024 para 2025, Roraima, Maranhão, Acre, Pará e Amazonas registraram os maiores avanços no uso do Pix.
“Isso indica que a gente ainda deve observar uma redução na desigualdade nos próximos anos, até chegar um momento em que ela deve estacionar”, afirmou Vinícius Botelho, autor do estudo e gerente de Assuntos Econômicos da Fin. Ele disse que o crescimento do Pix ainda é mais forte em Estados com menor acesso ao crédito.
A análise também mostra avanços na bancarização — proporção de pessoas com conta bancária — entre 2020 e 2024. O Norte teve o maior crescimento, de 20,8%, e chegou a 94,2% da população bancarizada. No Nordeste, a alta foi de 13,3%, para 96,2%; no Centro-Oeste, de 11,8%, para 96,9%; no Sul, de 7,7%, para 96,7%; e no Sudeste, de 7,1%, também para 96,7%.
Para Botelho, a expansão dos serviços financeiros foi mais intensa em regiões onde o acesso era menor, ajudando a diminuir diferenças entre as áreas do país. Ele afirmou que esse resultado não é automático: dependendo do tipo de crescimento, a desigualdade pode aumentar. Na avaliação do economista, o avanço observado foi disseminado entre as localidades.
O estudo cita pesquisas acadêmicas que associam o Pix a efeitos como aumento de depósitos bancários, maior proteção a famílias afetadas por desastres naturais e estímulo ao empreendedorismo. Também relaciona o meio de pagamento a uma possível redução da desigualdade salarial. Essas associações são apresentadas como resultados de estudos anteriores, além da análise regional feita pela Fin.
O levantamento avaliou ainda o crédito e o mercado de capitais. Entre 2024 e 2025, o saldo real de crédito por pessoa cresceu 11% em Roraima, maior variação, seguido por São Paulo, com 10%, e Amapá, Ceará e Alagoas, cada um com 9%. Já o estoque por pessoa era maior em Mato Grosso, com R$ 60.976, e no Distrito Federal, com R$ 53.424; Pernambuco e Maranhão tinham os menores valores, de R$ 15.987 e R$ 14.514.
No mercado de capitais, as emissões de debêntures e notas comerciais cresceram em relação ao valor adicionado da economia entre 2020 e 2023. No Nordeste, passaram de 0,8% para 1,7%; no Centro-Oeste, de 0,6% para 1,4%. O estudo conclui que o acesso financeiro avançou em todas as regiões e que, em geral, os maiores crescimentos ocorreram onde o acesso inicial era menor.
Para entender
- Pix
- Sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Permite transferências e pagamentos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora e dia da semana, por meio de instituições financeiras e de pagamento participantes.