Comissão da ONU afirma que Israel manteve genocídio em Gaza na trégua
Relatório publicado nesta segunda-feira também aponta crimes contra a humanidade na Cisjordânia e registra o avanço da Linha Amarela durante o cessar-fogo de 2025.
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Uma comissão independente da ONU afirma que Israel continuou cometendo atos que classifica como genocídio em Gaza durante o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025. O relatório também aponta crimes contra a humanidade na Cisjordânia. Israel rejeitou as conclusões e classificou o documento como parte de uma campanha de desinformação.
Uma comissão independente de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que Israel continuou cometendo atos que classificou como genocídio em Gaza durante o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025. O relatório, publicado nesta segunda-feira, examina violações contra civis palestinos desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em 7 de outubro de 2023, até setembro deste ano.
Segundo a comissão, autoridades israelenses mantiveram ações com a intenção de destruir, total ou parcialmente, os palestinos em Gaza. O documento também registra que a situação na Cisjordânia ocupada se agravou e aponta crimes contra a humanidade cometidos por autoridades e forças israelenses, entre eles extermínio, tortura, estupro, outras formas de violência sexual e perseguição.
Durante o cessar-fogo, forças israelenses teriam continuado a usar munições pesadas, drones, quadricópteros, artilharia e atiradores de precisão em áreas densamente povoadas, de acordo com o relatório. A comissão afirma ainda que a chamada Linha Amarela, apresentada como demarcação temporária da trégua, avançou sobre Gaza e passou a operar como uma fronteira de fato, ampliando o controle territorial israelense.
Israel rejeitou as conclusões. Em comunicado, a missão do país em Genebra classificou o documento como parte de uma “campanha de desinformação” destinada a demonizar Israel e pediu que a comunidade internacional repudie as conclusões. O embaixador Daniel Meron afirmou que a comissão busca minar a legitimidade do Estado israelense e negar seu direito de existir e se defender.
Um relatório anterior da mesma comissão, divulgado em setembro de 2025, também concluiu que Israel havia cometido genocídio em Gaza e apontou incitação por autoridades de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Israel havia rejeitado aquelas acusações.
Autoridades palestinas afirmam que mais de 74 mil pessoas morreram na ofensiva israelense em Gaza, iniciada após combatentes liderados pelo Hamas matarem cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel, em 7 de outubro de 2023. A comissão não apresenta esses números como uma contagem própria no relatório citado.
Na Cisjordânia, o documento compara seis palestinos mortos em ataques aéreos entre 2008 e 6 de outubro de 2023 com 254 entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026. A comissão atribui o agravamento às operações militares e à violência persistente de colonos. Segundo o relatório, operações iniciadas em janeiro de 2025 provocaram o maior deslocamento de palestinos na região desde 1967; 34.176 continuavam deslocados em agosto de 2026.
O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, afirmou que mortes intencionais de civis palestinos e destruição de casas na Cisjordânia integram uma estratégia mais ampla de extermínio e deslocamento. O relatório também critica a Autoridade Palestina por perseguir pessoas que expressam opiniões divergentes e registra mortes e ferimentos de jornalistas e defensores dos direitos humanos.