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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Congresso estima até 100 mil embriões congelados na Itália

A estimativa foi apresentada em encontro sobre infertilidade em Roma; o bispo Claudio Giuliodori afirmou que não há dados precisos sobre o total.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Tanque de armazenamento criogênico em laboratório de fertilidade, com profissionais ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Tanque de armazenamento criogênico em laboratório de fertilidade, com profissionais ao fundo.
Resumo em 30 segundos

Um congresso apoiado pelo Vaticano estimou que há entre 30 mil e 100 mil embriões humanos congelados na Itália, mas não existem dados precisos. O encontro, realizado em Roma, discutiu infertilidade e reprodução assistida. As críticas à fertilização in vitro apresentadas pelo bispo Claudio Giuliodori refletem a doutrina católica, não um consenso entre especialistas.

Um congresso apoiado pelo Vaticano estimou que há entre 30 mil e 100 mil embriões humanos congelados na Itália. A estimativa foi apresentada pelo bispo Claudio Giuliodori durante um encontro sobre infertilidade e reprodução, realizado de 16 a 18 de outubro, em Roma.

Giuliodori afirmou que não há dados precisos sobre o total. “Ninguém é capaz de produzir dados exatos, e isso é impressionante”, disse o presidente da Fundação do Instituto Científico Internacional Paulo VI (ISI), ligado à Universidade Católica do Sagrado Coração. Ele apontou implicações sanitárias, jurídicas, econômicas e éticas associadas à existência de embriões criopreservados.

A criopreservação é o congelamento de material biológico para conservação. Na fertilização in vitro (FIV), óvulos e espermatozoides são unidos em laboratório; embriões que não são transferidos ao útero podem ser congelados para eventual uso posterior. O processo também levanta questões sobre o destino dos embriões que não chegam a ser implantados.

O congresso, intitulado “O Esplendor da Pessoa Humana: Preservando a Fertilidade, Curando a Infertilidade”, reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir aspectos científicos, antropológicos e éticos da reprodução. O evento ocorreu no campus romano da Universidade Católica do Sagrado Coração e começou com uma palestra do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

O papa Leão XIV deveria discursar na abertura, mas a audiência foi cancelada. O pontífice ficou hospitalizado entre 13 e 17 de outubro, período que coincidiu com o primeiro dia do encontro.

Giuliodori criticou a FIV a partir da doutrina católica. Segundo ele, a técnica tira a geração de uma criança da relação conjugal e a transfere para um procedimento conduzido por profissionais de saúde e técnicos de laboratório. O prelado também questionou a seleção de gametas com auxílio de inteligência artificial, a produção de embriões, a redução ou eliminação de alguns após a implantação e o possível uso de embriões em pesquisas.

“Isso levanta um número não pequeno de questões éticas”, afirmou Giuliodori. Ele defendeu que a criança tem o direito de ser concebida no contexto do amor dos pais e disse que o debate público dá mais atenção ao desejo dos adultos de ter filhos do que a essa perspectiva. A posição apresentada no encontro reflete o ensinamento católico; não é uma descrição consensual entre especialistas sobre os aspectos éticos da reprodução assistida.

O bispo citou a instrução Donum Vitae, publicada em 1987 pela então Congregação para a Doutrina da Fé e assinada pelo cardeal Joseph Ratzinger. O documento afirma: “O que é tecnicamente possível não é, por isso, moralmente admissível”. Giuliodori também mencionou ensinamentos recentes de Leão XIV sobre a dignidade da vida humana e a necessidade de limites éticos para o desenvolvimento tecnológico.

A Fundação do Instituto Científico Internacional Paulo VI afirma buscar alternativas à fertilização artificial por meio do tratamento de causas da infertilidade. Segundo Giuliodori, o instituto atua dentro da Fundação Policlínico Universitário Agostino Gemelli e desenvolve uma abordagem interdisciplinar, com exames e diagnósticos voltados a identificar fatores associados à dificuldade de engravidar.

O dirigente disse que o trabalho acumulado ao longo de 25 anos transformou o instituto em referência internacional para casais que procuram enfrentar a infertilidade sem recorrer à fertilização artificial. Ele afirmou que os resultados do método, inclusive em gestações, superam proporcionalmente os relatados por centros de reprodução medicamente assistida.

Paola Pellicanò, médica do Centro de Regulação Natural da Fertilidade da universidade e presidente da associação Donum Vitae, defendeu que a infertilidade seja abordada também com educação sobre fertilidade e promoção de hábitos saudáveis. Ela disse que diretrizes recentes da Organização Mundial da Saúde passaram a reconhecer a importância desses temas e do respeito às convicções pessoais dos casais.

O centro italiano acompanha casais e ensina a reconhecer os períodos férteis do ciclo feminino. Pellicanò informou que mais de 8 mil casais foram acompanhados e que a rede formada ao longo das décadas conta com mais de mil instrutores do Método de Ovulação Billings na Itália. O método se baseia na observação de sinais do ciclo menstrual para identificar períodos de fertilidade.

As origens do trabalho remontam a 1976, quando a ginecologista Anna Cappella assumiu um projeto da Universidade Católica do Sagrado Coração, com apoio da Santa Sé e da Conferência Episcopal Italiana. Pellicanò afirmou que a fertilidade não deve ser considerada apenas em função de conseguir uma gravidez. Para ela, compreender o ciclo e as opções disponíveis pode ajudar as pessoas a participar das decisões sobre a própria saúde reprodutiva.

Para entender

Criopreservação
É a conservação de material biológico por congelamento. Na fertilização in vitro, embriões que não são transferidos ao útero podem ser criopreservados para eventual uso posterior; a técnica também suscita debates sobre o destino dos embriões que não são implantados.
Donum Vitae
Instrução publicada em 1987 pela então Congregação para a Doutrina da Fé, órgão da Igreja Católica. O documento aborda questões de bioética relacionadas à procriação e à reprodução humana à luz do ensinamento católico.

Fontes: Gazeta do Povo

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