Leão XIV pede que escolas acolham jovens pressionados por desempenho
Em mensagem a um congresso no Vaticano, o papa defendeu que educadores confiem nos estudantes e cuidem de sua vida interior e emocional.
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Leão XIV pediu que escolas e universidades católicas sejam espaços de acolhimento para jovens submetidos à cultura de desempenho e comparação. Em mensagem a um congresso no Vaticano, defendeu a confiança nos estudantes, a formação emocional e espiritual e o diálogo entre fé e razão. O encontro reúne 1.200 participantes de 60 países.
O papa Leão XIV pediu nesta quinta-feira, 22 de outubro, que educadores de escolas e universidades católicas apoiem os jovens diante de uma cultura de desempenho que os compara e classifica. Em mensagem ao Congresso Internacional sobre Pastoral Escolar e Universitária, no Vaticano, ele defendeu que as instituições sejam lugares de acolhimento e confiança, e que a educação também cuide da vida interior e emocional dos estudantes.
“Vivemos em uma cultura de desempenho que constantemente compara e classifica, às vezes impiedosamente. Uma meritocracia mal compreendida acaba por não respeitar a dignidade das pessoas”, afirmou o pontífice. Na avaliação dele, a resposta dos educadores deve incluir a confiança nos jovens, mesmo antes que eles próprios reconheçam suas capacidades.
Leão XIV usou como exemplo os apóstolos: disse que Jesus não os escolheu por já serem corajosos, mas que eles se tornaram capazes porque foram chamados e receberam confiança. O papa incentivou professores, capelães e agentes pastorais a transmitir aos estudantes a mesma mensagem de coragem e a ajudá-los a se tornar participantes de uma sociedade mais fraterna e justa.
O pontífice citou dificuldades que podem afetar os jovens, como conflitos familiares, solidão ligada ao ambiente digital, sensação de inadequação e receio diante de um futuro incerto. Para ele, a escola e a universidade devem ser, antes de tudo, “um lar, um lugar familiar onde se é esperado”.
O congresso reúne 1.200 participantes de 60 países e termina na sexta-feira, 23 de outubro. Organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano, o encontro tem como referência a carta apostólica “Charting New Maps of Hope” (“Traçando Novos Mapas de Esperança”), a primeira de Leão XIV.
O documento propõe três prioridades para a educação: cultivar a interioridade, incentivar um uso humano e racional das tecnologias digitais e educar para a paz. A interioridade diz respeito à vida interior e à reflexão pessoal; no contexto do encontro, ela aparece associada à formação integral, que inclui a dimensão emocional e espiritual, além do aprendizado acadêmico.
Leão XIV também defendeu que a educação seja uma busca compartilhada pela verdade e que as perguntas dos jovens sejam valorizadas. Para os educadores católicos, pediu que promovam o diálogo entre fé e razão e ajudem os estudantes a conhecer, segundo a perspectiva cristã, a pessoa de Cristo.
A formação do coração, expressão usada pelo papa, deve estimular compaixão, gratidão, atenção ao sofrimento alheio e abertura a Deus. Ele afirmou que a missão pastoral será mais frutífera quando der atenção a essas dimensões e relacionou caridade e oração. Ao final da mensagem, comparou o trabalho dos educadores ao acompanhamento de Jesus aos discípulos no caminho de Emaús: caminhar ao lado dos jovens para que descubram seus próprios dons.
Carina Rossa, argentina que integra o comitê coordenador do Pacto Educativo Global, disse que o congresso reflete uma atenção renovada da Santa Sé à pastoral educacional. Segundo ela, essa área, que considera central para escolas e universidades, ainda não tinha uma estrutura dedicada no Dicastério para a Cultura e a Educação.
Lançado pelo papa Francisco em 2020, o Pacto Educativo Global foi retomado por Leão XIV durante o Jubileu do Mundo da Educação, em 2025. Rossa afirmou que essa iniciativa voltou a despertar interesse em instituições de diferentes países e que há um novo entusiasmo em torno da proposta.
A representante disse que a pastoral educacional não deve ficar restrita a celebrações religiosas ou funcionar como atividade separada do restante da vida acadêmica. Na visão dela, pode influenciar as práticas de ensino, as relações entre instituições e estudantes, a conexão com comunidades locais e a abordagem de temas como cuidado com a criação, verdade, beleza e cultura.
Rossa também relatou que participantes demonstraram interesse por temas como significado, espiritualidade e silêncio, em meio a desafios de saúde mental entre jovens. Ela afirmou que o encontro reúne agentes pastorais de diversas partes do mundo em uma comunidade de troca e colaboração. Leão XIV compareceu ao congresso e cumprimentou palestrantes e participantes após o discurso.