Confiança do consumidor brasileiro avança e põe país entre cinco
O ICC da Ipsos subiu 1,9 ponto, para 54,1, com melhora na avaliação da situação atual e no indicador de investimento; emprego ficou estável.
Resumo em 30 segundos
A confiança do consumidor brasileiro avançou em outubro, segundo o índice da Ipsos, e manteve o país entre os cinco mercados mais otimistas de 30 pesquisados. O indicador chegou a 54,1 pontos, com alta na avaliação da situação atual e no investimento. Crime e violência seguiram como principal preocupação dos entrevistados.
A confiança do consumidor brasileiro avançou em outubro e colocou o país entre os cinco mercados mais otimistas de um levantamento com 30 países. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos marcou 54,1 pontos, 1,9 ponto acima de setembro, recuperando a queda do mês anterior e permanecendo na faixa de otimismo, acima de 50 pontos.
A principal melhora ocorreu na avaliação da situação atual, cujo subíndice subiu 3,4 pontos, para 45,6. O indicador de investimento avançou 3,2 pontos, a 51,4, e retornou à zona otimista. As expectativas futuras chegaram a 67,8 pontos, enquanto a percepção sobre emprego ficou estável, em 53,6.
O resultado foi divulgado após um mês marcado pela eleição presidencial de 25 de outubro, que definiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A Ipsos associa a sustentação da confiança à estabilidade percebida no emprego e na renda, apesar da polarização e de outros fatores de pressão.
A parcela de brasileiros que considera que o país está no “rumo certo” cresceu três pontos percentuais, para 39%. No mesmo período, a arrecadação federal chegou a R$ 239,4 bilhões, recorde para outubro e alta real de 5,62%, resultado relacionado à expansão da massa salarial, segundo o levantamento.
Crime e violência continuaram no topo das preocupações, citados por 46% dos entrevistados, embora a proporção tenha caído seis pontos percentuais. A corrupção política e financeira subiu três pontos, para 38%, e passou ao segundo lugar. O estudo também registrou que mais de 6,9 milhões de pessoas foram afetadas por tempestades no Sul e no Sudeste e que houve estado de emergência devido a queimadas históricas no Pará e na Amazônia.
Rafael Lindemeyer, líder do Cluster de Experience da Ipsos Brasil, afirmou que o resultado indica maior disposição dos consumidores para gastar. Para ele, emprego estável e arrecadação em alta ajudaram a sustentar o otimismo em um mês complexo. Lindemeyer também relacionou o avanço da preocupação com corrupção à atuação de consumidores mais atentos à confiança e à entrega das empresas.
O indicador acima de 50 pontos sinaliza que as avaliações positivas superam as negativas, enquanto resultados abaixo desse patamar apontam predominância do pessimismo. No levantamento internacional, os Estados Unidos registraram 25% de entrevistados que veem o país no rumo certo, queda de 13 pontos em um ano. Na Argentina, essa avaliação subiu seis pontos, para 45%; na França, ficou em 7%, o menor nível entre os 30 países pesquisados.