Colisão entre trens na Espanha deixa 74 mortos e 179 feridos
Uma brasileira está entre os feridos e recebe assistência consular; a investigação apura a retomada da circulação após uma falha no sistema ferroviário.
Resumo em 30 segundos
A colisão ocorreu perto de Urda, na Espanha, quando um trem da Renfe atingiu a traseira de uma composição da Iryo que estava parada nos trilhos. O balanço mais recente aponta 74 mortos e 179 feridos. A investigação apura por que a circulação foi retomada após uma falha no sistema de segurança ferroviária.
Uma brasileira está entre os feridos na colisão de dois trens de alta velocidade ocorrida na quarta-feira, 28, perto de Urda, na região de Castilla-La Mancha, no centro da Espanha. O balanço mais recente citado pelas autoridades nesta quinta-feira aponta 74 mortos e 179 feridos; uma contagem anterior registrava 69 mortes.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que o Consulado-Geral em Madri presta assistência à brasileira. A identidade e outros dados pessoais dela não foram divulgados. O acidente envolveu um trem da estatal Renfe, que seguia de Madri para Sevilha, e uma composição da empresa privada Iryo, parada nos trilhos.
A colisão aconteceu por volta das 8h53, no horário local, quando o trem da Renfe atingiu a parte traseira do Iryo. Dados preliminares apontavam 397 pessoas a bordo do trem da Renfe e 147 na composição da Iryo. Equipes de resgate continuavam a procurar vítimas entre os vagões destruídos, com auxílio de guindastes e cães da Guarda Civil.
A investigação busca esclarecer por que a circulação foi retomada após uma falha no sistema de segurança ferroviária. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que a pane informática interrompeu o sistema em um trecho da linha e fez com que trens parassem automaticamente. A central de controle assumiu então a gestão do tráfego.
Segundo a reconstituição preliminar apresentada pelo ministro, a central autorizou o trem da Renfe a voltar a circular sem restrição de velocidade, embora um sinal de parada permanecesse ativo. Puente disse que, se a viagem fosse retomada, o maquinista deveria ter recebido orientação para avançar devagar, de modo que pudesse parar diante de um obstáculo. Ele afirmou que os maquinistas não tiveram culpa e que as circunstâncias da autorização ainda são apuradas.
O trecho afetado pela falha foi descrito com extensões diferentes: Puente mencionou 63 quilômetros, enquanto informações divulgadas sobre a investigação indicaram aproximadamente 69 quilômetros. A velocidade exata do trem da Renfe no momento do impacto ainda não havia sido determinada. O ministro disse que a composição poderia ter alcançado 200 km/h naquele trecho.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez prometeu esclarecer as causas e eventuais responsabilidades. Durante visita ao local, afirmou que o governo trabalharia para apurar o ocorrido e reforçar a segurança ferroviária. A Justiça declarou a área do acidente como zona de investigação, e a Espanha iniciou três dias de luto nacional nesta quinta-feira.
A Adif, empresa pública responsável pela infraestrutura ferroviária, suspendeu a circulação na linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia após o acidente. A Renfe e a Iryo informaram ter ativado protocolos de atendimento a vítimas e familiares e estar colaborando com as autoridades. A estatal também disponibilizou uma linha telefônica para prestar informações.
Em Urda, uma escola foi preparada para receber familiares em busca de notícias, com apoio da Cruz Vermelha. A Guarda Civil abriu postos em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha para coletar amostras de DNA que possam contribuir para identificar vítimas. Também foram organizados pontos de doação de sangue em Castilla-La Mancha e Madri.
O acidente reacendeu o debate sobre a segurança ferroviária no país. Trabalhadores do setor fizeram uma greve nesta quinta-feira, que já estava planejada antes da colisão, para cobrar melhorias nos serviços. Sindicatos questionaram a atribuição de responsabilidade a um único controlador e defenderam que a investigação examine falhas do sistema, além de eventuais erros individuais.
Para entender
- Renfe e Iryo
- A Renfe é a operadora ferroviária estatal da Espanha. A Iryo é uma operadora privada que também oferece serviços de trem de alta velocidade no país. As duas empresas operavam as composições envolvidas na colisão.
- Adif
- A Adif é a empresa pública espanhola responsável pela administração da infraestrutura ferroviária, incluindo a rede de trilhos e as instalações associadas. Não é a operadora dos trens.