CNI aponta juros como principal problema da construção e confiança sobe
A intenção de investimento avançou em outubro, mas chegou a 41,9 pontos, o menor resultado para o mês desde 2020, segundo a sondagem.
Resumo em 30 segundos
Os juros foram citados por 40% dos empresários como o principal problema da construção, segundo pesquisa da CNI e da CBIC. A confiança do setor avançou 3,5 pontos, mas permaneceu abaixo do nível que indica confiança. A intenção de investimento subiu, embora tenha registrado o pior resultado para outubro desde 2020.
Os juros elevados foram apontados como o principal problema da construção por 40% dos empresários consultados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade divulgou nesta segunda-feira (26) a Sondagem Indústria da Construção, feita em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que também registrou melhora na confiança do setor, embora o pessimismo ainda prevaleça.
A parcela que citou os juros subiu 3,8 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre. É o segundo maior resultado desde o início da série histórica, em 2015. A carga tributária ficou em segundo lugar, mencionada por 31% dos entrevistados, ante 33,6% no trimestre anterior. A falta ou o custo elevado de trabalhadores não qualificados passou da quarta para a terceira posição, com 29% das respostas, ante 28,6%.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) da construção avançou 3,5 pontos, para 49 pontos. Como resultados abaixo de 50 indicam falta de confiança, a alta sinaliza que o pessimismo perdeu força, mas não foi revertido. O indicador de intenção de investimento também subiu, 2,2 pontos em relação a setembro, chegando a 41,9 pontos. Ainda assim, foi o menor resultado para outubro desde 2020.
As condições financeiras seguiram pressionadas. O índice de facilidade de acesso ao crédito recuou de 39,3 para 37,9 pontos; abaixo de 50, o indicador aponta dificuldade para obter financiamento. A satisfação com o lucro operacional caiu um ponto, para 40,7, enquanto a avaliação da situação financeira permaneceu em 45,2 pontos, também abaixo do nível que indica satisfação.
Em setembro, o índice de atividade subiu 0,9 ponto, para 45,6, depois de cair 2,6 pontos em agosto. A utilização da capacidade operacional, que mede a movimentação nos canteiros, aumentou três pontos percentuais, para 68%. Já o indicador de número de empregados recuou 0,5 ponto, para 45,3. Os preços de insumos e matérias-primas continuaram em alta, embora o índice correspondente tenha caído 0,6 ponto, para 65,5.
As expectativas para os próximos meses melhoraram entre setembro e outubro, mas a maioria dos indicadores continuou abaixo de 50 pontos e todos ficaram aquém da média histórica. A previsão para a atividade chegou a 50,1 pontos. Compras de insumos atingiram 49,7; novos empreendimentos e serviços, 48,6; e emprego, 48,7.
A CNI ouviu 305 empresas — 120 pequenas, 125 médias e 60 grandes — entre 1º e 13 de outubro. Na metodologia dos índices, 50 pontos é a linha divisória: valores abaixo dela indicam retração, dificuldade ou pessimismo, conforme o indicador analisado.