Abdib diz que tensão não deve afetar leilões de infraestrutura 2026
Venilton Tadini prevê que a reação do mercado se dissipe em até duas semanas; financiamento mais caro pode reduzir outorgas ou deságios nos certames.
Resumo em 30 segundos
A Abdib avalia que a oscilação do mercado financeiro após a eleição de Lula não deve impedir nem determinar os leilões de infraestrutura previstos para o fim de 2026. O custo maior de financiamento, porém, pode reduzir valores de outorga ou descontos oferecidos. A entidade também cobra fortalecimento de órgãos reguladores e do Ibama.
O presidente-executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, afirmou que a oscilação do mercado financeiro após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato não deve afetar os leilões de infraestrutura previstos para o fim do ano. Segundo ele, os investidores interessados já consideram as condições dos projetos, e a reação do mercado tende a se dissipar em pouco tempo.
Tadini avaliou que o movimento inicial decorre de operações e apostas no mercado futuro e disse acreditar que haverá ajustes por parte do governo eleito. “Este estado de coisas não dura mais do que duas semanas”, afirmou. Para ele, manter o nível de atrito observado entre o governo, o setor produtivo e o mercado financeiro seria inviável.
O dirigente disse que a turbulência não deve ser determinante para os resultados dos leilões. A participação, porém, depende de cada projeto oferecer uma relação adequada entre riscos e retornos. Caso o financiamento fique mais caro, os investidores podem incorporar esse custo às propostas, com redução do valor oferecido pela outorga ou do desconto sobre tarifas e preços, explicou Roberto Guimarães, diretor de planejamento e economia da Abdib.
A outorga é o pagamento que uma empresa vencedora pode fazer ao poder público para obter o direito de explorar um serviço ou ativo. Já o deságio corresponde à redução oferecida em relação a uma tarifa ou valor de referência, conforme o modelo de cada concessão. Se o custo de capital aumenta, a rentabilidade esperada pode cair, o que tende a alterar os valores apresentados nos certames sem necessariamente impedir a disputa.
Entre os desafios que Tadini atribuiu à próxima gestão estão o fortalecimento das agências reguladoras e a abertura de espaço no orçamento para projetos estruturantes. Ele citou como exemplo as Parcerias Público-Privadas (PPPs) de ferrovias, modelo em que o poder público e empresas privadas dividem responsabilidades e investimentos.
O presidente da Abdib também defendeu que a busca por ajuste fiscal não comprometa as agências reguladoras nem o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Tadini criticou a demora na indicação de diretores para esses órgãos e o bloqueio de recursos já limitados. Na avaliação dele, a discussão deve considerar também os R$ 60 bilhões destinados a emendas parlamentares.
As agências reguladoras fiscalizam e estabelecem regras para setores concedidos à iniciativa privada, enquanto o Ibama atua no licenciamento e na fiscalização ambiental. A capacidade técnica e operacional desses órgãos pode influenciar o andamento de concessões e obras, além da previsibilidade necessária para empresas que avaliam participar dos leilões.