Cleitinho mantém apoio a Flávio Bolsonaro e participa de atos em Minas
O governador eleito esteve em um evento em Divinópolis e confirmou presença em Belo Horizonte no sábado, a dois dias do segundo turno presidencial.
Resumo em 30 segundos
Cleitinho Azevedo reafirmou apoio a Flávio Bolsonaro, mas tem participado de forma pontual da campanha em Minas Gerais. Depois de comparecer a um ato em Divinópolis, na quinta-feira, confirmou presença em uma atividade em Belo Horizonte no sábado. O governador eleito também acompanha a transição estadual e enfrenta o desafio da dívida mineira com a União.
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), reafirmou apoio ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mas tem participado de forma pontual e discreta da campanha no segundo turno. Nesta quinta-feira (22), ele esteve em um ato em Divinópolis, sua cidade natal, no centro-oeste mineiro, e confirmou presença em uma atividade prevista para sábado, em Belo Horizonte.
A atuação de Cleitinho ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, recomendar que o governador eleito ficasse “quietinho” durante o segundo turno. A declaração foi feita no dia 16, ao fim de uma caminhada com apoiadores em Juiz de Fora. Lula afirmou que Minas Gerais poderia se tornar “um cemitério de obras paralisadas” em um eventual governo de Flávio e disse que Cleitinho teria mais a ganhar se ele próprio vencesse.
“Eu tenho certeza que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, ele só tem que ficar quietinho”, afirmou Lula. Aliados do governador eleito e políticos alinhados ao bolsonarismo interpretaram a fala como intimidação. Cleitinho, porém, chamou o episódio de “polêmica” e não endossou essa avaliação.
Em um vídeo publicado nas redes sociais em colaboração com o perfil de Flávio, Cleitinho justificou o apoio por ser de direita e por gratidão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que o apoiou na eleição para o Senado. A declaração retoma uma posição que ele já havia manifestado antes do primeiro turno, quando o empresário Flávio Roscoe foi o candidato do PL ao governo de Minas.
Na terça-feira (20), durante um encontro de lideranças de direita em Belo Horizonte, Cleitinho pediu que prefeitos, parlamentares, vereadores e representantes empresariais ajudassem a buscar votos para Flávio entre eleitores ainda indecisos. “Se eu falar para pedir votos aqui, eu estou pregando pra convertido”, disse. Ele acrescentou que a disputa ainda não estava definida e pediu aos presentes que saíssem do encontro dispostos a conversar com quem não havia escolhido um candidato.
Na quinta-feira, Cleitinho participou de uma edição do Bloco do 22 em Divinópolis. O evento reuniu também o senador eleito Domingos Sávio (PL), os irmãos de Cleitinho, Gleidson e Eduardo Azevedo, e Bruno Engler (PL). Gleidson e Engler foram reeleitos deputados estaduais neste ano. Cleitinho desceu do trio elétrico e caminhou com apoiadores de Flávio no centro da cidade, mas não publicou sobre a participação em seus próprios perfis.
O governador eleito era esperado em uma edição do evento em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, no dia 15, mas não compareceu. Segundo a justificativa divulgada na ocasião, ele deveria permanecer em repouso depois de apresentar pressão arterial elevada e frequência cardíaca um pouco acima do normal. A atividade prevista para sábado, em Belo Horizonte, será um dos últimos compromissos públicos de Flávio antes do encerramento da campanha no Rio de Janeiro.
Cleitinho venceu a eleição para o governo mineiro em primeiro turno, com 55,4% dos votos válidos. Enquanto acompanha a transição, cuja coordenação delegou ao vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ele também se reuniu nesta quinta-feira com Vicente de Oliveira Silva, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Entre os desafios da próxima gestão está a dívida do estado com a União, próxima de R$ 200 bilhões. O saldo foi renegociado pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que prevê o parcelamento em 30 anos. O governo estadual informou que havia pago R$ 1,03 bilhão em parcelas do programa até 15 de outubro.
A dívida foi discutida no início do segundo turno em uma reunião de Cleitinho e Falcão com Flávio e outros políticos mineiros. Cleitinho disse ter feito dois pedidos ao candidato: que apoie o fim da escala 6x1, tema de sua atuação no Senado, e que, se eleito, destine o valor das prestações da dívida a investimentos em infraestrutura, segurança pública e saúde em Minas Gerais. A assessoria do governador eleito não informou se ele conversou sobre o assunto com Lula ou com representantes do governo federal.