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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Empresários ampliam encontros com Flávio Bolsonaro na campanha

Eventos passaram a reunir centenas de representantes de grandes empresas, embora muitos afirmem que foram para conhecer as propostas do senador, sem declarar apoio.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Executivos acompanham um senador durante um encontro empresarial em São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Executivos acompanham um senador durante um encontro empresarial em São Paulo.
Resumo em 30 segundos

A campanha de Flávio Bolsonaro passou a atrair mais executivos e representantes de grandes empresas após um início com encontros menores. A aproximação ganhou força com a melhora do desempenho do senador nas pesquisas e no primeiro turno. A participação nos eventos, porém, não significa necessariamente apoio à candidatura, e empresários têm opiniões variadas sobre suas propostas.

A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a atrair mais representantes de grandes empresas nos últimos meses, depois de um começo marcado por encontros menores e pouca adesão de empresários influentes. A aproximação se intensificou com pesquisas que apontaram a possibilidade de Flávio superar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ganhou força após o primeiro turno, em que o senador terminou à frente em número de votos.

Os primeiros encontros, realizados em dezembro de 2025, reuniam poucas dezenas de participantes e, em geral, empresários que já haviam demonstrado apoio ao governo de Jair Bolsonaro. Desde o fim de agosto, eventos com Flávio passaram a reunir centenas de pessoas, incluindo executivos de grandes companhias. A presença, porém, não representa necessariamente apoio: muitos empresários disseram que buscavam conhecer melhor o candidato e suas propostas.

Na terça-feira, 13, Flávio participou do Grande Encontro do Associativismo, realizado no clube Monte Líbano, em São Paulo. A Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e outras entidades do setor produtivo organizaram o evento, que reuniu dirigentes de associações empresariais, entre eles representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Fecomercio, do Secovi-SP, da Abiquim e da Faesp.

Os grupos empresariais Esfera Brasil e Lide também buscaram aproximar seus integrantes da campanha. Nos últimos meses, promoveram encontros com nomes ligados à área econômica do PL, como Daniella Marques e Adolfo Sachsida, e com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Mais recentemente, tentaram levar o próprio Flávio a eventos, mas o senador desistiu de participar de dois encontros anunciados pelo Lide, em Santo André e na capital paulista.

A organização do evento previsto para São Paulo esperava receber 400 empresários, seis dias antes do segundo turno. A desistência foi comunicada poucos dias após a divulgação dos encontros. A relação entre a família Bolsonaro e João Doria, fundador do Lide e ex-governador de São Paulo, foi marcada por críticas durante a pandemia, quando Doria e Jair Bolsonaro protagonizaram divergências públicas.

Em setembro, o Esfera realizou um encontro com Lula e cerca de 500 empresários. Outro jantar, em 27 de agosto, na casa de Marcelo Kayath, sócio da QMS Capital e ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, reuniu executivos de bancos, empresas e entidades. Participaram os presidentes dos três maiores bancos privados do país, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, representando o Nubank, e Christian Egan, da B3, além de empresários como Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras, da Bunge e da BRF.

Entre os encontros recentes de Flávio esteve um jantar particular com André Esteves, principal acionista do BTG Pactual. O senador também participou do CEO Conference, evento anual do banco. Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG, foi citado como possível ministro da Fazenda em um eventual governo de Flávio. Almeida foi secretário do Tesouro durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, permanecendo no cargo até 2020.

A mudança contrasta com a recepção inicial à candidatura. Quando Jair Bolsonaro confirmou o filho como candidato do PL, no começo de dezembro de 2025, parte do empresariado esperava que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputasse a Presidência. Tarcísio era visto por esses empresários como um nome mais moderado e eleitoralmente viável do que um integrante da família Bolsonaro.

A aproximação de empresários com Flávio também gerou debate sobre o significado de participar de encontros com o candidato. O cineasta João Moreira Salles criticou a presença de dirigentes empresariais em jantares e eventos, argumentando que isso poderia legitimar posições do senador. Em resposta, Roberto Rachewsky, fundador do Instituto de Estudos Empresariais, afirmou que conversar com alguém não significa endossar suas ideias ou ações.

Ricardo Lacerda, do banco BR Partners, apoiou a crítica de Salles e disse que a tolerância à apologia da tortura não pode ser tratada como divergência política comum. Já Pedro Parente, citado entre os participantes de encontros com Flávio, afirmou que compareceu para ouvir as ideias do candidato, mas saiu com uma avaliação pior e não votaria nele. Empresários que participaram de reuniões também manifestaram avaliações variadas, com elogios, críticas e cobranças por propostas econômicas mais detalhadas.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo

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