Citi divide ações brasileiras entre risco e oportunidade após eleição
O banco recomenda evitar empresas mais vulneráveis a juros altos e destaca ações defensivas e de qualidade, mas alerta que nenhuma está livre de perdas.
Resumo em 30 segundos
Após a vitória de Lula no segundo turno e a reação negativa do mercado, o Citi separou ações brasileiras em três grupos: empresas a evitar, opções defensivas e companhias de qualidade que podem oferecer pontos de entrada após correções. O banco alerta que até ações consideradas resilientes podem cair com a alta dos juros.
O Citi dividiu ações brasileiras em três grupos de risco e oportunidade para investidores após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, em meio à reação negativa do mercado. O banco recomenda evitar algumas empresas mais expostas a juros altos, aponta ações defensivas como proteção relativa e destaca companhias de qualidade que podem oferecer pontos de entrada após correções.
No primeiro grupo estão Ânima, Cogna, Hapvida, Dasa e Qualicorp, classificadas pelo banco como “histórias a evitar”. Segundo os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, essas empresas são cíclicas, têm alta sensibilidade às oscilações do mercado e, em alguns casos, enfrentam endividamento elevado ou processos de reestruturação. Juros altos por mais tempo podem pressionar os lucros, enquanto dificuldades operacionais limitam a previsibilidade dos resultados.
A Yduqs também é considerada cíclica e sensível ao mercado, mas o Citi vê possível sustentação no curto prazo para a avaliação da empresa, devido a potenciais dividendos relacionados à fusão da Afya.
O segundo grupo reúne ações que o banco chama de “lugares para se esconder”: Bradsaúde, TIM, Telefônica e Bemobi. A seleção privilegia empresas defensivas, com balanços sólidos e maior visibilidade sobre os fundamentos. Em períodos de instabilidade, essas características podem oferecer proteção relativa, embora não eliminem o risco de queda.
Já Rede D’Or, RD Saúde e Totvs aparecem na categoria “fuga para a qualidade”. O Citi considera que essas companhias podem resistir melhor em termos de fundamentos, mesmo que suas ações também recuem em uma onda ampla de aversão ao risco. Uma queda nos preços, segundo o banco, pode criar oportunidades de entrada se não vier acompanhada de piora nas expectativas de lucro.
O relatório ressalva que essas ações de qualidade não necessariamente protegem contra perdas imediatas. Seus múltiplos de avaliação mais altos e a sensibilidade às taxas de juros de longo prazo podem deixá-las vulneráveis quando os juros sobem. Por isso, o banco recomenda acompanhar os preços de entrada. A relação preço/lucro mede quanto investidores pagam pelos ganhos de uma empresa; o indicador PEG relaciona essa avaliação ao crescimento esperado.
A reação do mercado à eleição incluiu queda de 14% do Ibovespa e de 27% do índice de small caps, que reúne empresas de menor porte na Bolsa. O real perdeu 8% ante o dólar, enquanto os juros nominais de dez anos subiram 240 pontos-base em uma sessão. O Citi atribuiu o movimento à surpresa com a guinada política e econômica e afirmou que ainda há pouca clareza sobre a política fiscal e a condução do governo. O banco vê como riscos a inflação elevada, juros reais altos por mais tempo e atividade econômica fraca.