Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 328 milhões
O plano reúne sete empresas e já tem adesão de credores que representam 35,11% das dívidas; a companhia não pediu recuperação judicial.
Resumo em 30 segundos
A Chilli Beans apresentou à Justiça paulista um pedido de recuperação extrajudicial que abrange R$ 328,69 milhões em dívidas de sete empresas. Credores com 35,11% dos créditos aderiram ao plano, e o grupo busca superar metade do total em até 90 dias. A empresa atribui a crise à queda nas receitas e ao crédito mais caro.
A Chilli Beans apresentou à Justiça paulista um pedido de recuperação extrajudicial que reúne sete empresas do grupo e envolve R$ 328,69 milhões em dívidas. A proposta prevê renegociar pagamentos e pode incluir venda de ativos, operações de fusões e aquisições e aumento de capital; a empresa não pediu recuperação judicial.
Na apresentação do pedido, credores titulares de R$ 115,41 milhões — 35,11% do total abrangido — já haviam aderido ao plano. O grupo se comprometeu a obter apoio de credores que representem mais da metade dos créditos em até 90 dias, requisito para buscar a homologação judicial. A empresa informou que mantém negociações, especialmente com bancos públicos.
A recuperação extrajudicial é uma renegociação de dívidas conduzida pela empresa com seus credores e submetida à Justiça. O pedido da Chilli Beans abrange obrigações financeiras sem garantia real ou que não estejam totalmente cobertas por garantias, incluindo antecipação de recebíveis e operações de risco sacado. Também inclui dívidas de franqueados nas quais empresas do grupo atuem como avalistas, fiadoras ou garantidoras.
A empresa solicitou a suspensão de ações e execuções relativas aos créditos incluídos no plano e a interrupção de medidas como penhoras, arrestos e bloqueios de bens. Segundo a petição, cláusulas de vencimento cruzado e garantias entre empresas do grupo poderiam fazer com que a inadimplência de uma delas tivesse efeitos sobre as demais.
O pedido foi apresentado após a Mustang 25 Participações, uma das empresas do grupo, deixar de pagar uma parcela de notas comerciais. A Vert Companhia Securitizadora informou que a devedora foi notificada e não regularizou o débito no prazo adicional de dois dias úteis previsto em contrato. A securitizadora comunicou o vencimento antecipado das notas e o resgate obrigatório das debêntures lastreadas nesses títulos, além de informar que cobraria o pagamento em até três dias úteis e convocaria uma assembleia de debenturistas.
A companhia afirmou que as condições de pagamento de funcionários e fornecedores não serão alteradas. A proposta foi elaborada após meses de negociação com credores, segundo a petição.
Os dados apresentados à Justiça indicam queda no faturamento: nos nove primeiros meses de 2026, as empresas requerentes registraram R$ 151,26 milhões, recuo de 29,9% ante o mesmo período de 2025. No ano passado, a receita bruta caiu 3,9%, para R$ 390,67 milhões.
O grupo atribuiu a crise ao custo maior do crédito, à retração do consumo e à queda no movimento de shopping centers. Também mencionou a concorrência de plataformas asiáticas de baixo custo e os investimentos para diversificar sua atuação no setor óptico. Segundo a empresa, o financiamento mais caro dificultou a abertura de lojas, a reposição de estoques e a sustentação das operações de franqueados.