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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Charles 3º expressa horror pelo tráfico de escravizados em cúpula

Em Antígua e Barbuda, o rei pediu que os países reconheçam a história e cooperem diante de seus efeitos; o Reino Unido ainda não anunciou pedido de desculpas.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Charles 3º discursa diante de representantes de países durante uma cúpula da Commonwealth. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Charles 3º discursa diante de representantes de países durante uma cúpula da Commonwealth.
Resumo em 30 segundos

Na abertura da cúpula da Commonwealth, Charles 3º disse sentir horror diante do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas e defendeu aprender com o passado. O encontro ocorre em meio a debates sobre desculpas e reparações do Reino Unido. O premiê Andy Burnham afirmou estar aberto a discutir um pedido de desculpas.

O rei Charles 3º declarou nesta terça-feira (3), durante a abertura da cúpula da Commonwealth em Antígua e Barbuda, sentir “horror” diante do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Aos líderes dos 56 países e territórios-membros, ele disse que compreender melhor as injustiças históricas reforçou seu compromisso de buscar respostas para seus efeitos atuais, sem deixar que o passado determine o futuro.

“O tráfico transatlântico de pessoas escravizadas ainda lança sua sombra sobre estas ilhas e outros integrantes de nossa Commonwealth. Como já disse antes, esse capítulo vergonhoso da história enche meu coração de horror e minha alma da mais profunda tristeza pessoal”, afirmou o rei. Charles acrescentou que as gerações atuais não podem alterar o que seus antecessores fizeram, mas podem aprender com a história.

O encontro ocorre em meio a discussões sobre se o Reino Unido deve pedir desculpas ou pagar reparações pelo papel que teve no comércio transatlântico de escravizados. Charles e o governo britânico ainda não anunciaram um pedido de desculpas nem discutiram pagamentos. O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou, porém, que está aberto à possibilidade de um pedido de desculpas, e autoridades conversavam com líderes nacionais sobre o formato que esse gesto poderia assumir.

Em seu discurso, Charles defendeu parcerias entre os países da Commonwealth para enfrentar desigualdades e problemas atuais. Citou educação, empregos, oportunidades, comércio e ações contra o aquecimento global como áreas em que a cooperação pode beneficiar quem enfrenta dificuldades.

Burnham também disse que gostaria de discutir a reestruturação das dívidas dos países menores do grupo. O premiê anunciou um investimento de £ 40 milhões, equivalente a R$ 293 milhões, em infraestrutura crítica no Caribe, a ser aplicado ao longo dos próximos três anos.

A Commonwealth reúne 56 Estados-membros, em sua maioria antigos territórios do Império Britânico. Charles é o chefe da organização, que reúne países independentes e mantém fóruns de cooperação entre seus integrantes. A discussão sobre a escravidão e seus efeitos históricos ganhou destaque na agenda da cúpula, ao lado de propostas para apoiar necessidades contemporâneas.

Ao encerrar uma passagem do discurso com uma imagem ligada à navegação, o rei disse que não é possível controlar os ventos nem o destino a que eles conduziram as sociedades, mas que é possível decidir como ajustar as velas. A declaração sintetizou seu apelo a reconhecer o passado e direcionar a cooperação para desafios futuros.

Para entender

Commonwealth
Organização que reúne países independentes, muitos deles antigos territórios do Império Britânico. Seus integrantes mantêm fóruns de diálogo e cooperação em temas como desenvolvimento, educação e mudanças climáticas.

Fontes: Folha de S.Paulo

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