México cobra investigação após morte de Emiliano Andrade no ICE
Detido em junho, o mexicano de 56 anos foi encontrado inconsciente em um centro migratório de Laredo; a causa da morte depende de autópsia.
Resumo em 30 segundos
Emiliano Andrade Covarrubias morreu sob custódia do ICE em Laredo, no Texas. O governo mexicano pediu uma investigação rápida e transparente e anunciou uma nova denúncia às autoridades americanas. A causa da morte ainda será determinada por autópsia. Com o caso, chegou a 18 o número de mexicanos mortos sob custódia da agência no segundo mandato de Donald Trump.
Emiliano Andrade Covarrubias, mexicano de 56 anos, morreu sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) em um centro de processamento migratório em Laredo, no Texas. O governo do México anunciou que apresentará uma nova denúncia às autoridades americanas e pediu uma investigação rápida, completa e transparente sobre o caso.
Andrade havia sido detido em junho. Segundo a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, a família informou que ele tinha diabetes e hipertensão e talvez não recebesse todos os medicamentos necessários. A causa da morte ainda será determinada por uma autópsia realizada no condado de Webb.
O deputado Henry Cuéllar afirmou que a morte foi constatada no sábado, às 10h. Funcionários do Centro de Processamento Rio Grande encontraram Andrade inconsciente durante uma inspeção de rotina, segundo o parlamentar. O ICE ainda não divulgou informações oficiais sobre o caso.
A filha de Andrade, Estefani, de 29 anos e cidadã americana, soube da morte por meio do escritório do legista do condado. Ela disse que a família pretendia buscar os pertences do pai no centro de detenção nesta segunda-feira. O consulado mexicano em Laredo informou que aguarda os resultados da perícia antes de divulgar mais detalhes.
A Secretaria de Relações Exteriores do México afirmou que adotou medidas diplomáticas e jurídicas, como o envio de notas ao Departamento de Estado dos Estados Unidos e denúncias a autoridades competentes. O governo também atua para facilitar o acesso das famílias de migrantes à assistência jurídica.
Com a morte de Andrade, chegou a 18 o número de cidadãos mexicanos que morreram sob custódia do ICE durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. Ele é o segundo migrante a morrer neste ano em uma instalação da agência em Laredo. Em junho, Félix Alcorta Rodríguez, de 63 anos, morreu após ser encontrado inconsciente em um centro de detenção do condado de Webb e transferido para uma clínica.
Em agosto, o vice-chanceler mexicano Roberto Velasco informou que o país havia apresentado 20 denúncias relacionadas a mortes de migrantes sob custódia americana. Até aquele momento, apenas quatro tinham recebido resposta oficial. No caso de Royer Pérez, jovem mexicano de 19 anos que morreu em uma unidade na Flórida, a versão do ICE apontou suicídio, enquanto um relatório preliminar do Instituto Médico-Legal indicou a possibilidade de homicídio cometido por agentes penitenciários.
Sheinbaum reiterou que o governo mexicano oferece apoio jurídico a cidadãos do país que vivem nos Estados Unidos. “Somos contra qualquer forma de racismo, especialmente quando afeta nossos compatriotas nos Estados Unidos”, afirmou a presidente.
Para entender
- ICE
- O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos é uma agência federal ligada ao Departamento de Segurança Interna. Entre suas atribuições estão a aplicação de leis de imigração e a fiscalização de fronteiras e alfândegas.