Câmara pode votar pedido de impeachment contra Pete Hegseth
O pedido foi apresentado em setembro pelo deputado Thomas Massie, mas ainda não foi aprovado; parlamentares mencionam possível votação na próxima semana.
Resumo em 30 segundos
A Casa Branca afirmou que não pretende demitir Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos. Parlamentares indicaram que podem levar à Câmara, na próxima semana, o pedido de impeachment apresentado em setembro por Thomas Massie. A iniciativa reúne críticas à condução da guerra contra o Irã, mas não há confirmação de votação.
A Casa Branca afirmou na quinta-feira que não pretende demitir o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, apesar da pressão após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato. Na Câmara, parlamentares indicaram que podem levar a plenário já na semana que vem um pedido de impeachment contra ele, apresentado em setembro pelo deputado republicano Thomas Massie, crítico de Donald Trump.
A pressão sobre Hegseth e sobre o secretário de Estado, Marco Rubio, aumentou depois que Trump e o vice-presidente JD Vance apontaram a guerra contra o Irã como um dos principais motivos do revés eleitoral. Os dois integrantes do governo tiveram participação na política em relação ao conflito, embora Rubio tenha mantido maior distância das operações militares, segundo as informações divulgadas.
O pedido de impeachment contra Hegseth foi apresentado à Câmara, mas isso não significa que o secretário tenha sido afastado ou que o processo tenha sido aprovado. Para o impeachment avançar, a Câmara precisa aprovar artigos de impeachment; depois, cabe ao Senado conduzir o julgamento e decidir sobre a condenação e a remoção do cargo. A possibilidade de votação na próxima semana foi mencionada por parlamentares, mas não há confirmação de que a votação ocorrerá.
Entre os argumentos apresentados contra Hegseth estão acusações de que ele teria exagerado a capacidade dos Estados Unidos de vencer rapidamente a guerra, transmitindo ao público uma avaliação irreal do conflito. O pedido também critica sua defesa de ampliar as ações militares e afirma que a estratégia poderia comprometer parte do arsenal americano, sem que os bombardeios demonstrassem aproximar o Irã da rendição. Essas alegações integram a iniciativa de impeachment e não representam uma conclusão sobre a conduta do secretário.
A Casa Branca não indicou que responsabilizará Hegseth pela derrota eleitoral. Em declaração, o porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, disse que o secretário não recuaria diante de políticos que, segundo ele, buscam ganhos partidários ou investigações sem fundamento. Parnell afirmou ainda que Hegseth está comprometido em liderar o Departamento de Defesa até o fim do mandato de Trump.
Rubio também negou que esteja planejando deixar o governo. A porta-voz da Casa Branca Beni Rae Harmony classificou como falsa a informação de que o secretário discutia opções para seu futuro e o descreveu como um aliado de Trump. Em entrevista, Rubio disse não saber de onde surgiu a notícia e afirmou que seu plano sempre foi trabalhar para o presidente até o fim do mandato.
A possibilidade de saída de Rubio ganhou atenção em meio a relatos de que integrantes do governo avaliam seu futuro, mas a Casa Branca e o secretário rejeitaram a hipótese. Uma eventual saída poderia afastá-lo de investigações que democratas fortalecidos no Congresso pretendem conduzir sobre iniciativas do governo, entre elas os ataques a embarcações suspeitas de narcotráfico no Mar do Caribe. Qualquer pessoa indicada por Trump para substituí-lo teria de passar pelo escrutínio do Senado.
Outros integrantes do governo já deixaram seus postos após a eleição: o procurador Jason Reding Quiñones e John Eisenberg, chefe da divisão de segurança nacional do Departamento de Justiça. No caso de Hegseth, a existência de um pedido de impeachment torna a pressão política distinta. Trump também disse ter recebido ligações sobre Rubio, mas declarou que pretende mantê-lo no cargo.
Para entender
- Impeachment nos Estados Unidos
- O processo pode levar à remoção de autoridades federais. A Câmara dos Representantes vota os artigos de impeachment; se eles forem aprovados, o Senado conduz o julgamento e decide se condena e remove a autoridade do cargo.