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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Brasil e EUA devem desacelerar negociações comerciais até eleição

As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos devem perder ritmo até o fim da eleição presidencial brasileira, segundo avaliação de negociadores envolvidos nas conversas.

Por Ricardo Vasconcelos 2 min de leitura
Representantes brasileiros e americanos sentados à mesa durante uma reunião de negociação comercial. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Representantes brasileiros e americanos sentados à mesa durante uma reunião de negociação comercial.
Resumo em 30 segundos

As conversas comerciais entre Brasil e Estados Unidos não avançaram na reunião de quarta-feira, 30, em Milwaukee. O representante comercial americano, Jamieson Greer, não definiu prazo para enviar uma proposta e afirmou que a eleição brasileira pode limitar a flexibilidade dos governos. Negociadores brasileiros veem a disputa presidencial como um obstáculo a avanços concretos.

As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos devem perder ritmo até o fim da eleição presidencial brasileira, segundo a avaliação de negociadores envolvidos nas conversas. A expectativa foi reforçada após reunião realizada na quarta-feira, 30, em Milwaukee, nos Estados Unidos, sem que os americanos apresentassem o rascunho de uma proposta de acordo.

O embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, disse que não há prazo para enviar um documento com os termos de um possível acordo. Ele afirmou que os EUA já apresentaram “muitos rascunhos de diferentes ações que poderiam ser feitas” ao longo de mais de um ano e observou que o período eleitoral pode limitar a flexibilidade dos governos.

A reunião durou 40 minutos e teve a participação de Greer, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Greer classificou o encontro como construtivo e disse que os dois lados concordaram em continuar trabalhando nos temas identificados.

Negociadores brasileiros avaliam que os Estados Unidos podem esperar a definição do próximo presidente antes de avançar com propostas concretas. Segundo essa avaliação, Washington consideraria mais vantajoso negociar com um eventual governo de Flávio Bolsonaro, candidato de oposição que prometeu alinhamento com os EUA e defendeu um acordo de livre-comércio. As matérias de origem não indicam que os americanos tenham confirmado essa estratégia publicamente.

O governo brasileiro havia dito que os EUA apresentariam nas semanas seguintes um documento para orientar novas tratativas, incluindo questões tarifárias e não tarifárias. Segundo Elias Rosa, porém, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos pediu mais três a quatro semanas para concluir uma proposta. Greer, por sua vez, não estabeleceu data para o envio.

Questionado sobre a possibilidade de discutir temas como o Pix e o desmatamento, Greer não respondeu. Na quarta-feira, Elias Rosa afirmou que o Brasil não negociaria assuntos que considera sensíveis à soberania nacional, incluindo esses dois temas.

As conversas foram retomadas após telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. O governo Lula diz manter disposição para dialogar, enquanto reconhece que a negociação não deve ser concluída em curto prazo.

Quem é quem

Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR)
Agência do governo dos Estados Unidos responsável por desenvolver e coordenar a política de comércio exterior do país e conduzir negociações comerciais. É liderada pelo representante comercial dos Estados Unidos, cargo ocupado por Jamieson Greer nas matérias citadas.
Ministério das Relações Exteriores
Órgão do governo brasileiro responsável pela política externa e pelas relações diplomáticas do país. Também é conhecido como Itamaraty e foi representado nas conversas comerciais pelo ministro Mauro Vieira.
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Órgão do governo federal brasileiro que formula e executa políticas ligadas ao desenvolvimento produtivo, à indústria, ao comércio e aos serviços. Márcio Elias Rosa participou das negociações com representantes dos Estados Unidos como ministro da pasta.

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