Bispos alemães aderem a iniciativa por IA segura para crianças
O projeto reúne acadêmicos, educadores e empresas para criar um código de conduta com cinco princípios para sistemas de inteligência artificial interativos.
Resumo em 30 segundos
A Conferência Episcopal Alemã aderiu à iniciativa “KI kindgerecht!”, que busca tornar sistemas de inteligência artificial mais seguros e adequados às crianças. O projeto envolve acadêmicos, educadores e empresas na elaboração de um código de conduta. Os bispos também defendem padrões obrigatórios para fornecedores e educação midiática contínua.
A Conferência Episcopal Alemã aderiu, em 14 de outubro, à iniciativa “KI kindgerecht!” (“IA amigável às crianças!”), que busca estabelecer regras para tornar a inteligência artificial (IA) mais segura e adequada ao público infantil. A ação reúne também a principal entidade protestante do país e uma associação de sites para crianças.
O projeto envolve acadêmicos, educadores e empresas interessadas na elaboração de um código de conduta para sistemas de IA interativos. A proposta se apoia em cinco princípios: segurança desde a concepção dos produtos, respeito aos direitos da criança, espaços de participação apropriados à idade, proteção de dados e supervisão humana.
O bispo Georg Bätzing, de Limburgo, que preside a comissão de mídia dos bispos alemães, afirmou que a tecnologia já faz parte de muitos serviços digitais. Ele disse que a iniciativa combina proteção, participação e responsabilidade e que os ambientes online devem atender ao bem-estar infantil.
Bätzing defendeu que a tarefa de proteger crianças não fique somente a cargo dos pais. Para ele, instituições e empresas também devem atuar, já que crianças são especialmente vulneráveis no ambiente digital. O bispo afirmou ainda que a tecnologia deve servir às pessoas, e não apenas a interesses econômicos.
Os bispos pediram que os fornecedores de IA sejam obrigados a seguir padrões voltados às crianças. Também defenderam investimentos permanentes em educação midiática, para que crianças, pais e professores aprendam a usar essas ferramentas com segurança e confiança.
A iniciativa está alinhada a preocupações expressas pelo papa Leão XIV sobre os efeitos da IA na infância. Em março, ele alertou que crianças não devem passar a considerar chatbots seus melhores amigos ou fontes infalíveis de conhecimento, pois isso pode prejudicar a capacidade de se relacionar, a criatividade e o pensamento.
Em uma encíclica sobre inteligência artificial publicada em 25 de maio, Leão XIV também mencionou riscos como aliciamento, chantagem e exploração sexual de menores na internet. O documento afirma que perfis falsos, algoritmos que facilitam contatos perigosos e ferramentas capazes de manipular imagens e vídeos podem tornar esses crimes mais difíceis de identificar.
A proteção de menores no ambiente digital também foi discutida pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores em uma assembleia realizada em Roma entre 28 de setembro e 2 de outubro. O grupo examinou o uso de tecnologias digitais e de IA no cuidado pastoral e apoiou ampliar a cooperação internacional para manter a dignidade, a segurança e o bem-estar das crianças no centro das decisões sobre tecnologia.