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Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Bispos dos EUA mobilizam fiéis antes de votos sobre aborto

Referendos em Nevada, Virgínia, Idaho e Missouri serão votados em 3 de novembro; as dioceses promovem orações, jejum e ações para mobilizar eleitores.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fiéis rezam em uma igreja ao lado de folhetos eleitorais sem identificação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fiéis rezam em uma igreja ao lado de folhetos eleitorais sem identificação.
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Bispos católicos dos Estados Unidos promovem orações, jejum e ações eleitorais antes de referendos sobre aborto marcados para 3 de novembro. Nevada, Virgínia e Idaho votarão propostas que ampliariam proteções legais ao aborto. No Missouri, a consulta pode revogar o direito constitucional estadual aprovado em 2024.

Bispos católicos dos Estados Unidos mobilizam fiéis com orações, jejum e campanhas eleitorais antes de referendos sobre aborto marcados para 3 de novembro em Nevada, Virgínia, Idaho e Missouri. Nos três primeiros estados, as propostas ampliariam ou criariam proteções legais ao aborto; no Missouri, a votação pode revogar o direito constitucional estadual à prática, aprovado em 2024.

As dioceses têm distribuído cartas, folhetos e cartões de oração, além de orientar padres a tratar do tema nas missas. Em algumas localidades, também há ações para registrar eleitores e ajudá-los a votar. Os bispos não apoiam candidatos, mas se posicionam sobre iniciativas populares quando entendem que elas envolvem ensinamentos da Igreja, como a defesa da vida desde a concepção.

Em Nevada, uma emenda constitucional reconheceria o aborto como um direito fundamental. A proposta recebeu 64% dos votos em 2024; como o estado exige aprovação em duas eleições consecutivas, uma nova maioria em novembro concluiria o processo. O arcebispo de Las Vegas, George Leo Thomas, e o bispo de Reno, Daniel Mueggenborg, coordenam a campanha católica contra a medida.

Thomas classificou a disputa como uma “batalha difícil” e pediu orações pelas dioceses. Em carta pastoral, ele afirmou que a fé católica exige a proteção da dignidade humana e a defesa de quem não pode falar por si. O arcebispo determinou que os padres de sua arquidiocese lessem o texto durante as missas do Domingo do Respeito à Vida, em 4 de outubro.

A legislação atual de Nevada proíbe o aborto após 26 semanas contadas desde o último período menstrual. A emenda permitiria restrições após a viabilidade fetal — fase em que o feto pode sobreviver fora do útero —, mas deixaria a definição desse estágio a um profissional de saúde responsável pelo tratamento. A proposta também autorizaria o aborto quando necessário para proteger a vida ou a saúde da gestante, sem definir o que significa “saúde”.

Thomas sustenta que essa redação poderia permitir abortos até o nono mês em determinadas situações e ampliar o acesso a menores, por se referir a “todos os indivíduos”, sem limitar o direito a adultos. Os tribunais não decidiram sobre essa interpretação. A proposta também menciona um “profissional de saúde qualificado”, sem especificar que deve ser médico.

Na Virgínia, as dioceses de Arlington e Richmond se opõem a uma emenda constitucional que incluiria na lei estadual um direito à “liberdade reprodutiva”, abrangendo o aborto. Os bispos Michael Burbidge e Barry Knestout pediram aos católicos que votem contra essa medida e outra proposta, separada, sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A orientação foi lida em paróquias de todo o estado.

Burbidge convocou fiéis a rezar e jejuar, enquanto a Diocese de Arlington promove a campanha “Catholics Vote No” — “Católicos Votam Não”. A lei atual da Virgínia permite o aborto até a 26ª semana. A proposta permitiria restrições no terceiro trimestre, exceto quando o procedimento fosse considerado necessário para proteger a vida ou a saúde física ou mental da gestante, sem definir esse critério.

Amy McInerny, diretora de Respeito à Vida da Diocese de Arlington, disse que a redação poderia permitir abortos até o nascimento e afetar as regras de consentimento parental para menores. Essa é a interpretação apresentada pela representante católica; os tribunais ainda não se pronunciaram sobre o alcance da proposta. As dioceses também fornecem informações sobre registro eleitoral e incentivam paróquias a ajudar pessoas acamadas, residentes em casas de repouso e universitários a obter cédulas para votar à distância.

Em Idaho, a votação não alteraria a Constituição, mas substituiria a lei estadual que proíbe a maior parte dos abortos por uma proteção à “liberdade reprodutiva”, incluindo o aborto. O bispo de Boise, Peter Christensen, escreveu aos fiéis e pediu que a mensagem pró-vida fosse levada às missas. A Diocese de Boise cobre todo o estado e distribuiu orientações para homilias e cartões de oração.

A proposta permitiria restrições após a viabilidade fetal, mas abriria exceção para emergências médicas. Também estenderia o direito a cada pessoa, sem especificar uma idade mínima. Christian Welp, diretor de projetos diocesanos, afirmou que a definição de viabilidade poderia permitir procedimentos em fases avançadas da gravidez e que a medida afetaria o consentimento dos pais. Essa avaliação também não foi confirmada por decisão judicial.

No Missouri, os eleitores decidirão se revogam a emenda aprovada em 2024, que estabeleceu o direito constitucional ao aborto com 51,6% dos votos. A proposta pró-vida não proibiria diretamente o procedimento nem fixaria um limite geral de semanas, mas permitiria que legisladores aprovassem restrições na maioria dos casos. Ela impediria proibições de aborto nas primeiras 12 semanas em casos de estupro ou incesto e durante emergências médicas, em qualquer fase da gravidez.

As quatro dioceses do Missouri divulgaram uma declaração conjunta contra a emenda de 2024 e convocaram oração e jejum. A Conferência Católica do Missouri distribuiu materiais às paróquias e promove palestras e ações para mobilizar eleitores. Kathleen Lavery, diretora de comunicação da entidade, disse estar “cautelosamente otimista” sobre a possibilidade de aprovação da proposta.

Fontes: Gazeta do Povo

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