Banco Bmg registra lucro de R$ 141 milhões, queda de 4,7%
Os resultados do Banco Bmg mostram inadimplência de 5,6% e carteira de crédito de R$ 23,045 bilhões no terceiro trimestre, com recuo ante o período anterior.
Resumo em 30 segundos
O Banco Bmg teve lucro líquido recorrente de R$ 141 milhões no terceiro trimestre, 4,7% abaixo do resultado de um ano antes. A inadimplência subiu para 5,6%, enquanto a carteira de crédito recuou 4,2% em três meses. Executivos atribuíram a pressão a fatores econômicos e à composição dos empréstimos.
O Banco Bmg registrou lucro líquido recorrente de R$ 141 milhões no terceiro trimestre, recuo de 4,7% em relação ao mesmo período de 2025 e de 10,2% ante o trimestre anterior. A carteira de crédito somou R$ 23,045 bilhões, enquanto a inadimplência subiu para 5,6%, segundo os resultados divulgados pelo banco.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio, indicador que mede a rentabilidade em relação ao capital dos acionistas, ficou em 13,6%. No trimestre anterior, havia sido de 15,5%; um ano antes, de 16,6%.
A margem financeira — diferença entre receitas e despesas financeiras — alcançou R$ 1,559 bilhão, alta de 3,1% na comparação trimestral e de 15,9% em 12 meses. Já o custo do crédito avançou para R$ 682 milhões, crescimento de 12,4% ante o trimestre anterior e de 47% na comparação anual.
A inadimplência, que considera operações com atraso, passou de 4,2% no trimestre anterior e de 3,9% no terceiro trimestre de 2025 para 5,6%. A carteira de crédito recuou 4,2% em três meses e 2% em um ano.
O presidente-executivo do Bmg, Felix Cardamone, atribuiu a piora a fatores como juros elevados, endividamento das famílias e gastos com apostas. Ele afirmou que o banco ajustou as políticas de crédito e cobrança, mas mantém a estratégia de estreitar o relacionamento com os clientes.
O vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Flávio Pentagna Guimarães Neto, disse que o custo do crédito também foi influenciado pela venda de quase R$ 1,5 bilhão em carteiras e por mudanças na composição dos empréstimos. Houve maior participação do consignado privado, modalidade descontada diretamente da folha de pagamento de trabalhadores do setor privado e que, segundo o executivo, tem inadimplência estruturalmente mais alta.
Guimarães Neto afirmou que as provisões para perdas cresceram e disse esperar redução no quarto trimestre. Cardamone também declarou que o banco espera melhorar a qualidade dos ativos nos próximos trimestres, após mudanças nos modelos de concessão, na operação do consignado privado e nos processos de cobrança.
João Consiglio, vice-presidente de negócios e clientes, afirmou que o consignado privado continua sendo um produto rentável para o Bmg. Segundo ele, a adoção de um teto para as taxas pelo governo levou o banco a recalibrar o spread líquido, diferença entre as taxas cobradas nos empréstimos e os custos de captação. Consiglio disse que a instituição completou um ano de atuação nesse segmento e que conduz a estratégia com cautela.