Bancada do agro deve ampliar presença no Senado e mantém força
A Frente Parlamentar da Agropecuária estima que cerca de 50 dos 81 senadores terão vínculo ou perfil alinhado ao setor na próxima legislatura.
Resumo em 30 segundos
A Frente Parlamentar da Agropecuária projeta chegar a cerca de 50 senadores na próxima legislatura, ante 47 integrantes atuais. Na Câmara, 180 deputados eleitos já fazem parte do grupo. A frente também aponta crédito, seguro rural e renegociação de dívidas entre as prioridades para o setor agropecuário.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada do agro ou bancada ruralista, deve ampliar sua presença no Senado na próxima legislatura, enquanto mantém força na Câmara dos Deputados. O grupo estima que cerca de 50 dos 81 senadores terão vínculo ou perfil alinhado ao setor, o equivalente a aproximadamente 62% da Casa.
O cálculo considera parlamentares já ligados à frente e novos eleitos que podem aderir. Segundo Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, 40 senadores já têm vínculo com a bancada, e o total pode chegar a 50. Atualmente, a frente reúne 349 integrantes: 302 deputados federais e 47 senadores. Em 2023, eram 287 membros.
Na Câmara, 180 deputados federais eleitos já fazem parte do grupo, número que serve de ponto de partida para a composição da próxima legislatura. A frente espera novas adesões. Entre os deputados que tentaram a reeleição, 67% conquistaram outro mandato. Nem todos buscaram permanecer na Câmara: alguns concorreram ao Senado ou a governos estaduais, e outros não disputaram novo mandato.
Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estiveram em disputa. Integrantes da bancada ruralista venceram 24 dessas eleições, segundo o levantamento citado pela FPA. Dezoito deputados federais também foram eleitos senadores. Entre os nomes apontados como parte do grupo estão Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e atual primeiro vice-presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, e Guilherme Derrite (PP), que já integrava a bancada como deputado. André do Prado (PL), eleito por São Paulo, também deve se juntar à frente.
A FPA é uma frente parlamentar, isto é, um grupo suprapartidário formado por congressistas que se organizam em torno de pautas comuns. No caso da bancada do agro, sua atuação concentra-se em temas relacionados à agropecuária, como crédito, seguro rural, financiamento, regras para a produção e direito de propriedade. O número de integrantes pode mudar ao longo do mandato, à medida que parlamentares aderem ou deixam o grupo.
A ampliação ocorre após uma eleição em que candidatos ligados ao setor tiveram bons resultados, enquanto dois ex-ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conseguiram se eleger. Paulo Teixeira (PT-SP), que comandou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, não foi reeleito deputado federal por São Paulo. Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura, ficou em quarto lugar na disputa pela reeleição ao Senado por Mato Grosso, com 11,5% dos votos válidos.
No pleito mato-grossense, Mauro Mendes (União Brasil) obteve 33,21% dos votos válidos, e Zé Medeiros (PL), 27,35%. Fávaro e Teixeira deixaram os ministérios no primeiro semestre deste ano para disputar as eleições. Os resultados reforçaram a presença de representantes ligados ao agronegócio no Congresso, embora a composição definitiva da bancada dependa de adesões posteriores.
A relação entre o setor e o governo Lula foi marcada por críticas de representantes rurais. Lupion apontou como problemas os juros elevados, o crédito caro e restrito, a redução dos recursos disponíveis para financiamento e a insuficiência do seguro rural. O presidente da FPA afirmou que o Congresso terá papel importante na construção de políticas que deem previsibilidade aos produtores e preservem a capacidade de investimento.
O seguro rural protege a produção contra perdas causadas por riscos que afetam a atividade no campo, como eventos climáticos. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras indicam que a área plantada segurada caiu de 13,7 milhões de hectares, em 2021, para 3,2 milhões no ano passado, redução de 76,6%. A matéria informa que 95% das apólices eram de pequenos e médios produtores.
As dificuldades climáticas e o aumento dos custos também pressionaram as margens e contribuíram para o endividamento rural. Em agosto, parlamentares da bancada cobraram a renegociação de dívidas após uma medida provisória sobre o tema. Uma portaria do governo foi publicada dias depois, mas ruralistas criticaram o alcance da iniciativa: segundo eles, as operações abrangidas somavam R$ 25,8 bilhões, abaixo dos R$ 100 bilhões anunciados pelo governo e dos R$ 197,2 bilhões da chamada carteira problemática do setor. Na avaliação dos parlamentares, a medida resolveria 13% do problema.
Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, defendeu planejamento de longo prazo e afirmou que o seguro é essencial para dar segurança aos produtores diante de perdas. Lupion também citou a renegociação das dívidas, a ampliação do crédito, o fortalecimento do seguro rural e a segurança jurídica como prioridades para o próximo governo. A frente afirma que pretende manter uma bancada numerosa e atuar para que as políticas agrícolas ofereçam condições estáveis à produção.