B3 questiona Braskem sobre plano e suspende ações por uma hora
A bolsa interrompeu os negócios com BRKM5 por quase uma hora e deu à petroquímica até terça-feira para esclarecer informações sobre a reestruturação.
Resumo em 30 segundos
A B3 suspendeu temporariamente as negociações das ações preferenciais da Braskem e pediu esclarecimentos sobre informações de um possível plano de reestruturação financeira. A empresa tem até terça-feira para responder. A proposta em discussão incluiria aporte da Petrobras e conversão de dívidas em ações, mas a Braskem afirma que ainda não há acordo.
As ações preferenciais classe A da Braskem (BRKM5) tiveram as negociações suspensas por quase uma hora no fim da manhã desta segunda-feira (26), depois que a B3 pediu esclarecimentos sobre informações relativas à reestruturação financeira da petroquímica. A bolsa questionou a empresa também sobre a possibilidade de ela passar a operar como uma corporation, modelo sem acionista controlador definido.
A solicitação da B3 foi motivada por notícias sobre negociações entre a Braskem e seus credores. A empresa tem até terça-feira (27) para confirmar ou negar as informações e prestar eventuais esclarecimentos adicionais. A suspensão temporária interrompe a negociação dos papéis durante o período determinado pela bolsa; depois, as operações podem ser retomadas.
As informações questionadas apontam que um plano em discussão poderia levar a Braskem ao Novo Mercado, segmento da B3 com regras de governança corporativa e ações ordinárias, que dão direito a voto. Na estrutura de corporation, o capital fica distribuído entre vários acionistas, sem um controlador único. A eventual mudança dependeria dos termos que vierem a ser acordados e das medidas necessárias para implementá-la.
O plano também incluiria um aporte da Petrobras e a conversão de dívidas em participação acionária ainda neste ano. De acordo com informações atribuídas a fontes, a estatal teria aceitado investir US$ 1,2 bilhão quando o acordo fosse fechado e outros US$ 500 milhões em 2029, condicionados ao nível de alavancagem da Braskem. O total previsto seria de US$ 1,7 bilhão em recursos novos.
A conversão de dívida em ações reduz o valor devido pela empresa, mas aumenta a participação dos credores no capital. Já um aporte de capital injeta recursos na companhia e pode alterar a proporção detida pelos acionistas, conforme as condições da operação. Os valores e o formato das contribuições ainda são pontos de divergência nas conversas.
No sábado (24), a Braskem informou que se reuniu presencialmente com seus principais acionistas e credores, mas que nenhuma proposta de reestruturação havia sido aceita e não existia acordo. A negociação tem como referência um prazo prorrogado até sexta-feira (30), data que torna esta semana decisiva para as tratativas.
A empresa está em recuperação extrajudicial, procedimento em que uma companhia negocia diretamente com credores um plano para reorganizar dívidas, sem que o processo comece com uma recuperação judicial. Enquanto as conversas seguem, a B3 aguarda a resposta formal da Braskem. A XP, por sua vez, colocou a empresa sob revisão e informou que suas recomendações, estimativas e preço-alvo anteriores deixaram de ser válidos.