Petrobras atinge recorde de R$ 800 bilhões em valor de mercado
A marca foi alcançada nesta quarta-feira, após a alta do petróleo Brent e das ações; a estatal também se tornou a empresa mais valiosa da América Latina.
Resumo em 30 segundos
A Petrobras superou pela primeira vez R$ 800 bilhões em valor de mercado e alcançou seu maior patamar histórico. As ações avançaram com a alta do petróleo Brent, que passou de US$ 106 por barril, e com fatores ligados à companhia. Analistas mantêm recomendação de compra, mas apontam motivos para cautela após a forte valorização.
A Petrobras superou pela primeira vez R$ 800 bilhões em valor de mercado nesta quarta-feira (14), na Bolsa brasileira, e atingiu o maior patamar de sua história. A marca foi alcançada em meio à valorização do petróleo e à alta das ações da companhia, que avançaram quase 100% em 2026.
Durante o pregão, as ações preferenciais (PETR4) chegaram a R$ 58. Por volta das 14h, eram negociadas a R$ 57,81, com alta de 1,71%, enquanto as ordinárias (PETR3), que dão direito a voto, subiam 2,23%, a R$ 65,22. A empresa também passou a liderar o ranking de valor de mercado na América Latina.
O petróleo Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 106 por barril nesta quarta-feira. A cotação tem subido desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro. O barril acumula alta de 75% em 2026, segundo os dados citados no mercado. Como produtora de petróleo, a Petrobras tende a se beneficiar de preços mais altos da commodity, que podem elevar receitas e resultados.
A alta desta quarta-feira foi o quarto recorde consecutivo de valor de mercado da estatal e o sexto em outubro. A empresa havia chegado a R$ 700 bilhões no dia 2. Em duas semanas, portanto, acrescentou cerca de R$ 100 bilhões à sua avaliação na Bolsa.
Além do petróleo, contribuíram para o desempenho os acordos de equalização de gastos e volumes relativos às jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos. A liquidação deve render à Petrobras cerca de US$ 859 milhões líquidos. A XP estima que o valor equivale a um rendimento de 0,52% e pode reforçar a geração de caixa e os dividendos no quarto trimestre.
A companhia também informou ter recebido R$ 2,807 bilhões em parcelas dos Programas de Subvenção Econômica entre 1º e 15 de julho. No segundo trimestre, o lucro quase dobrou, conforme o resultado citado no mercado.
A valorização reacendeu a discussão sobre o potencial das ações após a forte alta. Max Bohm, analista da Nomos, afirmou que a Petrobras ainda é negociada a 4,8 vezes o lucro anual por ação, indicador conhecido como preço sobre lucro (P/L). A métrica compara o preço do papel com o lucro da empresa e é usada para avaliar quanto o investidor paga pelos resultados.
Na comparação da Nomos, o P/L da Petrobras está abaixo do de outras petroleiras: 6,5 vezes para a Prio e entre 12,8 e 14 vezes para ConocoPhillips, Chevron e Exxon. Bohm disse que pode ser prudente realizar parte dos ganhos, embora a instituição mantenha recomendação de compra, com posição menor. Entre os fatores favoráveis citados por ele estão a geração de caixa, possíveis reajustes de combustíveis e dividendos extraordinários.
O Bank of America também reiterou recomendação de compra e elevou de R$ 55 para R$ 70 o preço-alvo das ações ordinárias. O banco apontou o desempenho da produção, especialmente no pré-sal, a política de preços de combustíveis e a governança corporativa como fatores que sustentam sua avaliação positiva. O relatório também cita as eleições de 2026 como um catalisador para os papéis.
Para entender
- Valor de mercado
- É o valor total das ações de uma empresa negociadas na Bolsa. Em geral, é calculado multiplicando o preço de cada ação pelo número de ações da companhia.
- Preço sobre lucro (P/L)
- Indicador que relaciona o preço de uma ação ao lucro por ação da empresa. É usado para comparar avaliações, mas não deve ser analisado isoladamente nem garante o desempenho futuro do papel.