Tesouro Direto suspende negociações após alta dos juros
A pausa ocorreu após o resultado do segundo turno e terminou com fortes altas nas taxas dos títulos; veja o que muda para investidores.
Resumo em 30 segundos
O Tesouro Nacional suspendeu temporariamente as negociações do Tesouro Direto por causa da volatilidade nas taxas de juros após o segundo turno das eleições. Com a retomada, as taxas de vários títulos subiram. Quem mantém o papel até o vencimento preserva as condições contratadas; quem vende antes recebe o preço de mercado.
O Tesouro Direto suspendeu as negociações nesta segunda-feira, 26 de outubro, após uma forte alta da volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos, em meio à reação dos mercados ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais. O Tesouro Nacional informou que esperava normalizar as operações ao longo do dia; o Tesouro Reserva continuou funcionando normalmente.
A interrupção é prevista pelas regras do programa e serve para atualizar preços e taxas antes da retomada. Como as condições oferecidas pelo Tesouro Direto acompanham as negociações de títulos públicos já emitidos no mercado secundário, mudanças bruscas podem deixar os valores da plataforma defasados. A pausa reduz o risco de investidores comprarem ou venderem papéis com preços incompatíveis com as condições do mercado naquele momento.
A suspensão não impede o registro de pedidos de investimento ou resgate na área exclusiva do programa. As solicitações ficam para processamento após a reabertura, com as taxas e os preços atualizados, respeitado o valor financeiro indicado pelo investidor.
A turbulência também atingiu a Bolsa e o câmbio, com interrupções em negociações na B3, a bolsa brasileira. Investidores revisaram suas expectativas para a economia após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro. A suspensão do Tesouro Direto não foi uma medida da B3: foi comunicada pelo Tesouro Nacional em resposta à volatilidade dos juros dos títulos públicos.
A oscilação das taxas afeta de maneiras diferentes quem investe. Para quem mantém o título até o vencimento, permanecem as condições de remuneração contratadas na compra. Já o investidor que vende antes do prazo recebe o preço de mercado vigente, que pode resultar em retorno menor que o esperado ou até prejuízo.
Esse efeito é chamado de marcação a mercado: os títulos têm seus preços atualizados conforme as condições de negociação. Em geral, quando as taxas de juros sobem, o preço dos papéis prefixados e dos títulos ligados à inflação já emitidos cai; quando as taxas recuam, os preços tendem a subir. Por isso, uma alta de rendimento anunciada na plataforma não significa que o preço do título já comprado também aumentou.
Após a retomada, as taxas de alguns papéis registraram mudanças expressivas. O Tesouro Prefixado 2029 passou de 12,76% ao ano no fechamento de sexta-feira para 15,40%. O Prefixado 2032 subiu de 12,89% para 15,78%. Nos títulos indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 foi de IPCA mais 6,72% para IPCA mais 8,10% ao ano.
Também avançaram as taxas dos papéis IPCA+ 2040, de 6,53% para 7,71%, e IPCA+ 2050, de 6,42% para 7,64%, sempre além da variação do índice. O IPCA é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, usado como medida oficial da inflação no país. Taxas maiores representam uma remuneração contratada mais alta para novas compras, mas implicam preços menores para títulos já emitidos, caso o investidor precise vendê-los antes do vencimento.
A interrupção não é inédita. Em 5 de outubro, depois do primeiro turno, o Tesouro Direto também fechou temporariamente as negociações por causa da volatilidade. Em momentos de movimentos intensos, pausas desse tipo permitem recalcular as condições de compra e venda antes de reabrir o mercado.