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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Exame de sangue p-tau217 chega ao Brasil para investigar Alzheimer

Oferecido em Porto Alegre por R$ 3,2 mil, o exame pode apoiar a investigação em pessoas com sintomas, mas não serve para rastrear quem está saudável.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Profissional de saúde manuseia uma amostra de sangue em laboratório clínico. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Profissional de saúde manuseia uma amostra de sangue em laboratório clínico.
Resumo em 30 segundos

O exame de sangue p-tau217, que ajuda a investigar alterações associadas ao Alzheimer, começou a ser oferecido no Brasil pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Custa R$ 3,2 mil e deve ser interpretado por um profissional junto com a avaliação clínica. Não é recomendado para pessoas sem sintomas.

Um exame de sangue que mede a proteína p-tau217, associada às alterações cerebrais do Alzheimer, começou a ser oferecido no Brasil em 15 de agosto pelo Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O teste custa R$ 3,2 mil e pode ajudar médicos a investigar a doença em pessoas com sintomas cognitivos, mas não é indicado como rastreamento de pessoas sem sintomas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste ano duas plataformas para realizar o exame. A primeira, Lumipulse G pTau, da farmacêutica Fujirebio, recebeu aprovação em agosto; em setembro, a agência aprovou o Elecsys pTau217, da Roche Diagnóstica. Com a nova oferta, a análise das amostras pode ser feita no país, sem a necessidade de enviá-las aos Estados Unidos, como ocorria com exames de sangue desse tipo.

O teste procura a fosfotau 217, uma forma da proteína tau que pode ser detectada no plasma sanguíneo. A proteína é considerada um marcador das placas de beta-amiloide relacionadas ao Alzheimer. Essas alterações podem aparecer muitos anos antes dos sintomas, mas a presença do marcador, por si só, não determina se uma pessoa terá demência.

O resultado deve ser interpretado por um profissional de saúde junto com o histórico do paciente, a avaliação cognitiva e outros exames. A orientação é considerar o teste quando há queixas ou sinais progressivos, como dificuldades de memória, e não para prever a doença em pessoas saudáveis. Especialistas alertam que, sem sintomas, um resultado positivo pode causar preocupação sem oferecer uma resposta clínica clara; ainda não há terapia aprovada para prevenir o Alzheimer antes do aparecimento dos sintomas.

Uma forma recomendada de interpretar o resultado é estabelecer dois pontos de corte, que dividem as respostas em três faixas: negativa, positiva e inconclusiva. Segundo os dados citados por especialistas, mais de 80% dos resultados ficam nas faixas positiva ou negativa, enquanto quase 20% não permitem uma conclusão. Nesses casos, o médico pode recomendar repetir o exame após alguns meses ou recorrer a métodos como a punção lombar e o PET Scan.

Quando o resultado é conclusivo, a precisão do exame de sangue fica próxima à da punção lombar, entre 92% e 94%, conforme estudo publicado na revista científica Nature. A punção coleta o líquor, líquido que circula ao redor do cérebro e da medula, para medir proteínas relacionadas à doença. Embora custe de R$ 2 mil a R$ 3 mil, é um procedimento invasivo. Já o PET Scan é um exame de imagem que identifica placas de beta-amiloide no cérebro e pode custar até R$ 10 mil.

O exame de sangue ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), e a cobertura pelos planos também não é obrigatória: o procedimento não integra o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O Hospital Moinhos de Vento informou que mantém diálogo com o Ministério da Saúde sobre uma possível adoção no sistema público. Antes, porém, é necessário avaliar em estudo clínico se o teste é custo-efetivo e se contribui para o atendimento especializado; não há prazo definido.

A oferta deve se ampliar gradualmente. O Einstein Hospital Israelita prevê disponibilizar o teste em novembro deste ano. A BP pretende incorporá-lo ainda neste ano, mas não estabeleceu uma data. O Sírio-Libanês estima que poderá importar a tecnologia a partir de 2027, enquanto o Hospital Alemão Oswaldo Cruz planeja oferecê-la quando houver condições, sem prazo informado.

A expectativa de especialistas é que a concorrência entre plataformas ajude a reduzir os preços. Se o exame se tornar mais acessível, poderá ser usado com maior frequência como etapa de investigação, reservando a punção e o PET Scan para resultados inconclusivos ou situações específicas. O PET, por exemplo, também pode ser necessário para verificar se placas amiloides foram removidas em pacientes que recebem terapias anti-amiloide, medicamentos indicados em fases iniciais que podem retardar a progressão, mas não revertem a doença.

O Alzheimer é o tipo mais comum de demência e afeta principalmente a memória recente, a linguagem e a orientação. A dificuldade de acesso a exames confirmatórios contribui para o subdiagnóstico: oito em cada dez brasileiros com demência não sabem que têm o problema. O novo teste pode facilitar a investigação, mas não substitui a avaliação médica nem deve ser tratado como diagnóstico isolado.

Fontes: Estadão

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