André Janones mobiliza apoiadores de Lula pelo WhatsApp na campanha
O canal “Exército do Lula” reuniu mais de 10 milhões de seguidores e distribuiu tarefas digitais, como compartilhar vídeos e pesquisar termos favoráveis ao petista.
Resumo em 30 segundos
André Janones coordenou a mobilização digital de apoiadores de Lula por meio do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reuniu mais de 10 milhões de seguidores. Na campanha, organizou ações nas redes, transmissões ao vivo e atividades presenciais. A atuação dá continuidade a uma trajetória política marcada pela comunicação digital.
O deputado federal André Janones (Rede-MG) coordenou a mobilização digital de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha presidencial deste ano, que terminou com a vitória do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo. A principal ferramenta foi o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, usado para enviar orientações e tarefas a militantes.
O canal reuniu mais de 10 milhões de seguidores. Por meio dele, Janones propunha ações como compartilhar vídeos, impulsionar hashtags contra Flávio e pesquisar no Google termos favoráveis a Lula. Também estimulou publicações de eleitores exibindo a bandeira do Brasil e fazendo o gesto da letra “L”.
Na reta final da disputa, o deputado promoveu transmissões ao vivo com a participação de Lula e artistas. Algumas chegaram a durar até 24 horas na véspera da eleição. Janones também incentivou apoiadores a participar de atos presenciais e acompanhou o presidente em compromissos de campanha em Minas Gerais.
A atuação nas redes acompanha a trajetória política do parlamentar, que ganhou visibilidade antes de ser eleito para a Câmara. Natural de Ituiutaba, em Minas Gerais, ele trabalhou como cobrador de ônibus enquanto cursava Direito como bolsista. Em 2016, concorreu à prefeitura da cidade e ficou conhecido por prestar assistência jurídica gratuita a pacientes que buscavam atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).
Janones também ganhou projeção durante a greve dos caminhoneiros, em 2018, ao transmitir atualizações sobre a paralisação em lives, embora não fizesse parte da categoria. Naquele ano, foi eleito deputado federal com quase 179 mil votos. Durante a pandemia de Covid-19, voltou a viralizar ao defender a manutenção do auxílio emergencial de R$ 600, pago pelo governo federal então comandado por Jair Bolsonaro (PL).
Em 2022, chegou a se apresentar como pré-candidato à Presidência pelo Avante, mas desistiu para apoiar Lula. Na campanha daquele ano, combateu rumores disseminados em igrejas evangélicas de que templos seriam fechados caso a esquerda voltasse ao governo. Também afirmou que Lula “é cristão e governa para todos” e atuou para reduzir os efeitos eleitorais do Auxílio Brasil.
O estilo combativo de Janones chegou a preocupar integrantes da campanha petista em 2022, especialmente após um bate-boca com o deputado Ricardo Salles (Novo-SP) durante debate na TV Band. Em 2024, ele foi alvo de pedido de cassação por acusação de “rachadinha” no gabinete, mas o Conselho de Ética arquivou o caso. No ano seguinte, o colegiado suspendeu seu mandato por três meses após declarações sobre o deputado Nikolas Ferreira.
Durante a campanha deste ano, Janones também esteve no debate da Band entre Lula e Flávio. Depois do programa, passou mal e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em São Paulo, com quadro de arritmia cardíaca.