Americanas vê ações avançarem após fim da recuperação judicial
Os papéis AMER3 fecharam a R$ 6,90 na terça-feira, com alta de 15,58%, e chegaram a R$ 7,10 nos primeiros minutos de negociação desta quarta.
Resumo em 30 segundos
As ações da Americanas subiram 15,58% no primeiro pregão completo após o encerramento da recuperação judicial, fechando a R$ 6,90. Nesta quarta-feira, chegaram a R$ 7,10 nos primeiros minutos de negociação. O texto também relembra a trajetória dos papéis durante a crise, do grupamento de ações às fortes quedas após a divulgação de inconsistências contábeis.
As ações da Americanas (AMER3) fecharam em alta de 15,58% na terça-feira (20), a R$ 6,90, no primeiro pregão completo após o encerramento da recuperação judicial da companhia. Nesta quarta-feira (21), os papéis chegaram a R$ 7,10 nos dez primeiros minutos de negociação, depois de terem terminado a sessão anterior ao fechamento do processo a R$ 5,97, com avanço de 6,99%.
A recuperação judicial é um mecanismo que permite a empresas em crise renegociar dívidas com credores e reorganizar as finanças sob supervisão da Justiça. A Americanas havia pedido o encerramento do processo em 25 de março de 2026; no pregão seguinte, as ações subiram 12,62% e fecharam a R$ 5,80. A conclusão do processo não elimina, por si só, os riscos associados à situação financeira e às perspectivas da empresa.
A cotação atual representa uma forte recuperação em relação à mínima registrada durante a crise. Em 26 de agosto de 2024, os papéis fecharam a R$ 0,05, em queda de 16,66%. Naquele período, a companhia realizou um grupamento de 100 para um: cada cem ações passaram a corresponder a uma. A mudança elevou mecanicamente a cotação de referência para R$ 5, sem alterar, por si só, o valor total da participação de cada acionista. No pregão seguinte, AMER3 subiu 40% e encerrou a R$ 7.
A crise ganhou força em janeiro de 2023, após a divulgação de possíveis inconsistências contábeis. Antes da notícia, as ações valiam R$ 12; em 12 de janeiro, caíram 77,33%, para R$ 2,72. Uma semana depois, a companhia pediu recuperação judicial, em meio à revelação de dívidas de cerca de R$ 43 bilhões. Os papéis terminaram aquele pregão a R$ 1, recuo de 42,53%.
Em junho de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Disclosure para investigar suspeitas de fraude contábil. A operação incluiu mandados de prisão preventiva contra o ex-presidente-executivo Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Saicali. Naquele dia, as ações oscilaram cerca de 2,5% para cima e para baixo e fecharam estáveis, a R$ 0,40.
O histórico de AMER3 também inclui uma cotação muito superior à atual: em julho de 2021, quando o mercado destacava a expansão do comércio eletrônico durante a pandemia, o papel chegou a R$ 61,92. Naquele ano, a B2W incorporou parte dos ativos operacionais da Lojas Americanas e adotou o nome Americanas S.A.; o código BTOW3 foi substituído por AMER3. As antigas ações LAME3 e LAME4 deixaram de ser negociadas em janeiro de 2022, quando a Lojas Americanas foi incorporada pela companhia.