Justiça do Rio encerra recuperação judicial da Americanas após 3 anos
A decisão reconhece o cumprimento das obrigações previstas para os dois anos após a homologação do plano, mas não quita dívidas com vencimento futuro.
Resumo em 30 segundos
A Justiça do Rio encerrou a recuperação judicial da Americanas e de três subsidiárias após reconhecer o cumprimento das obrigações exigidas nos dois anos seguintes à homologação do plano, em fevereiro de 2024. Dívidas com vencimento futuro continuam sujeitas às condições previstas no plano, e a decisão ainda pode ser contestada.
A Justiça do Rio de Janeiro encerrou na segunda-feira, 19, a recuperação judicial da Americanas e de três subsidiárias, quase quatro anos depois de a varejista recorrer ao mecanismo para renegociar dívidas. A decisão da 4ª Vara Empresarial reconheceu que a companhia cumpriu as obrigações do plano com vencimento nos dois anos seguintes à sua homologação, em fevereiro de 2024.
O encerramento foi solicitado pela empresa em março e recebeu pareceres favoráveis da administração judicial e do Ministério Público. A sentença também abrange B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações, mas ainda pode ser contestada por meio de recursos.
A decisão não significa que todas as dívidas foram quitadas. As obrigações com vencimento futuro continuam sujeitas às condições previstas no plano de recuperação, que estabelece como os débitos serão pagos ou renegociados.
O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira rejeitou objeções de credores, entre eles detentores de títulos de dívida emitidos no exterior. Eles questionavam os critérios usados para converter créditos em dólares para reais.
A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023, depois de revelar inconsistências contábeis que desencadearam uma crise na companhia. O plano foi homologado em fevereiro de 2024, e a empresa informou que pediu o encerramento após cumprir as obrigações exigidas para esse período.
Para o CEO, Fernando Soares, a saída do processo abre espaço para retomar negociações comerciais e buscar limites de crédito maiores. Ele afirmou que fornecedores restringiam vendas a algumas categorias por causa da situação judicial da varejista. “Na ordem prática, você libera limite de crédito e negociação”, disse.
Soares também afirmou que a crise levou a empresa a rever sua estratégia. A Americanas reduziu operações, reformulou o comércio eletrônico e passou a concentrar esforços na rentabilidade das lojas físicas e na reconstrução do canal digital. Segundo o executivo, a mudança ajudou a preservar a operação das lojas.
O diretor jurídico da companhia, Fábio Medeiros, disse que os documentos da empresa deixarão de identificá-la como “em recuperação judicial”. A mudança, segundo ele, pode alterar a percepção de parceiros e abrir caminho para novos negócios.
Os resultados mostram que a companhia ainda enfrenta desafios. No segundo trimestre de 2026, a Americanas teve prejuízo de R$ 274 milhões, 179,6% maior que no mesmo período do ano anterior. O Ebitda ajustado — indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — caiu 51,5%, para R$ 145 milhões.
No primeiro semestre, as vendas nas mesmas lojas avançaram 9,3%, e o Ebitda ajustado melhorou R$ 251 milhões em relação ao mesmo intervalo de 2025. A empresa ainda vende ativos, incluindo unidades da rede de hortifrúti Natural da Terra, para reduzir o endividamento; também continua consumindo caixa, embora em ritmo menor, conforme informou em seu balanço do segundo trimestre.
O encerramento ocorre dias depois de a Justiça Federal do Rio tornar réus 12 ex-executivos da Americanas, acusados de participação na fraude contábil revelada em 2023. A varejista afirmou que foi vítima de uma “fraude estruturada e de natureza dolosa” cometida por antigos integrantes da administração. As acusações contra os ex-executivos ainda serão examinadas no processo criminal.
Para entender
- Recuperação judicial
- É um procedimento previsto em lei que permite a uma empresa em crise negociar com credores e reorganizar o pagamento de dívidas, buscando manter suas atividades. O plano aprovado estabelece as condições e os prazos que a companhia deve cumprir.