Yousef Jabareen cobra oposição por aliança com partidos árabes
Após eleição sem maioria, os partidos árabe-israelenses somam 19 cadeiras; Isaac Herzog começa na quarta-feira consultas para indicar quem negociará a formação do governo.
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Yousef Jabareen, da Lista Conjunta, pediu que a oposição israelense considere uma aliança com os partidos árabe-israelenses para substituir o governo de Benjamin Netanyahu. As siglas árabes conquistaram 19 cadeiras, mas ainda divergem sobre participar do próximo gabinete. Isaac Herzog deve iniciar consultas com os partidos na quarta-feira.
Yousef Jabareen, líder da Lista Conjunta, pediu nesta segunda-feira que os partidos de oposição em Israel considerem a participação árabe-israelense para formar uma maioria e substituir o governo de Benjamin Netanyahu. O pedido ocorre após uma eleição inconclusiva, que deixou o Parlamento sem um bloco capaz de governar sozinho.
A coalizão de apoio a Netanyahu conquistou 53 cadeiras na Knesset, o Parlamento israelense, abaixo das 61 necessárias para obter maioria. A oposição ligada ao ex-chefe do Estado-maior Gadi Eisenkot ficou com 48 assentos, enquanto os partidos árabe-israelenses alcançaram 19, um resultado histórico para essas siglas.
“Diante da atual aritmética parlamentar, o governo de Netanyahu [...] não pode ser substituído sem uma coordenação com a Lista Conjunta”, afirmou Jabareen em entrevista. A declaração foi dirigida às forças oposicionistas que resistem a uma aliança com os partidos árabes.
As legendas árabe-israelenses, cujos líderes são em sua maioria descendentes de palestinos que viviam na região antes da criação de Israel, ainda não têm posição única sobre como participar do próximo governo. Mansour Abbas, que lidera o Ra’am, sinalizou que o partido pode integrar um futuro gabinete; a Lista Conjunta, por sua vez, demonstrou reservas durante a campanha.
As quatro listas árabe-israelenses se reuniram nesta segunda-feira em Nazaré, no norte do país, para tentar alinhar posições antes das consultas oficiais sobre a formação do governo. O presidente Isaac Herzog deve iniciar as conversas com representantes partidários na quarta-feira e, depois de ouvir as recomendações, escolher quem receberá a tarefa de negociar uma coalizão.
O processo exige que o indicado por Herzog reúna apoio suficiente no Parlamento. Conforme o calendário previsto, o primeiro encarregado terá 28 dias para negociar e poderá pedir mais 14; se não conseguir formar governo, o presidente poderá designar outro parlamentar, que terá 28 dias, sem possibilidade de prorrogação.
A aproximação enfrenta resistência dentro da própria oposição. Avigdor Lieberman, líder do Israel Nossa Casa, confirmou apoio a Eisenkot para primeiro-ministro e a Yair Lapid para a liderança do Parlamento, mas rejeitou uma aliança com os partidos árabes, que, segundo ele, não garantiria estabilidade. Lieberman sugeriu que partidos atualmente ligados à coalizão de Netanyahu, como Shas e Judaísmo Unido da Torá, poderiam mudar de lado; o Shas, porém, declarou apoio ao atual primeiro-ministro.
Os líderes da oposição devem se reunir nesta terça-feira para discutir como alcançar uma maioria. Yair Golan, chefe do partido Democratas, é o principal defensor de um governo de coalizão com participação árabe. A possibilidade também foi defendida por manifestantes que foram às ruas de Tel Aviv no sábado à noite em apoio a um governo conjunto.
Para entender
- Knesset
- É o Parlamento de Israel, responsável por aprovar leis e cuja composição define se um governo consegue apoio parlamentar. Para formar uma maioria, um bloco precisa reunir pelo menos 61 dos 120 assentos.
- Lista Conjunta
- Aliança política que reúne partidos árabes de Israel. Sua composição e suas decisões sobre cooperação com outros partidos podem influenciar negociações para formar um governo quando nenhuma força conquista maioria parlamentar.