Trump oferece US$ 1 milhão por denúncias de fraude eleitoral nos EUA
A oferta, válida também para eleições anteriores, preocupa autoridades que temem intimidações e confrontos durante as eleições legislativas dos EUA de 2026.
Resumo em 30 segundos
Donald Trump ofereceu US$ 1 milhão por informações que levem à condenação de alguém por fraude eleitoral. Autoridades locais temem que a recompensa aumente a desconfiança e a tensão nos locais de votação nas eleições legislativas desta terça-feira. O Departamento de Justiça enviou fiscais e observadores aos 50 Estados, em meio a disputas sobre a fiscalização federal.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu US$ 1 milhão por informações que levem à condenação de alguém por fraude eleitoral, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3). Autoridades locais temem que a recompensa aumente a desconfiança entre eleitores e provoque intimidações ou confrontos em locais de votação.
Trump anunciou a oferta na semana passada, antes de viajar ao Mississippi para um comício. Disse que as denúncias poderiam se referir tanto ao pleito desta terça quanto a eleições anteriores. A Casa Branca não informou de onde viria o dinheiro nem como as pessoas deveriam apresentar as denúncias.
As eleições legislativas dos Estados Unidos, conhecidas como eleições de meio de mandato, ocorrem no meio do mandato presidencial e renovam os assentos da Câmara dos Representantes e parte do Senado. A votação desta terça-feira também ocorre em meio a disputas sobre a atuação do governo federal na fiscalização de processos eleitorais organizados pelos Estados.
Autoridades policiais e eleitorais realizaram centenas de simulações de segurança para se preparar para possíveis ameaças e interrupções. Em Michigan, o gabinete do secretário de Estado participou de cerca de 125 exercícios neste ciclo eleitoral. Aghogho Edevbie, secretário de Estado adjunto e democrata, afirmou que a preparação considera o cenário em Washington.
Chris Davis, chefe de polícia de Green Bay, em Wisconsin, disse que o temor de tumultos eleitorais aumentou nos últimos anos e que a recompensa pode elevar a tensão. A vice-governadora republicana de Utah, Deidre Henderson, também afirmou que o governo federal contribui para o clima de apreensão. Segundo ela, ameaças que antes vinham de agentes externos agora também partem do próprio governo.
Nesta terça-feira, o Departamento de Justiça anunciou o envio de mil fiscais e observadores aos 50 Estados. Autoridades locais reforçaram orientações sobre os limites legais para a atuação desses agentes. Em Connecticut, o prefeito de New Haven, Justin Elicker, disse que a cidade enviou uma carta ao departamento afirmando que os observadores não eram bem-vindos nos locais de votação. O órgão federal declarou que seus monitores não precisam de autorização estadual ou local, mas são treinados para seguir as leis de acesso.
O Departamento de Justiça também pediu à Califórnia que separasse 20 mil cédulas enviadas pelo correio, alegando que poderiam ter sido fornecidas a pessoas sem cidadania americana. O governo tentou ainda contestar preventivamente os resultados da disputa ao Senado no Alasca, onde dois candidatos chamados Dan Sullivan aparecem nas cédulas. Tribunais bloquearam essas iniciativas até o momento.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, enviou no sábado um alerta aos quatro tribunais federais distritais que abrangem o Estado. No documento, advertiu que o governo Trump poderia tentar apreender cédulas eleitorais. Em resposta às críticas à recompensa, a porta-voz da Casa Branca, Lauren Bis, acusou os democratas de enfraquecer a segurança eleitoral e defendeu a exigência de documentos de identificação e a verificação da cidadania dos eleitores.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- Nos Estados Unidos, são eleições realizadas no meio do mandato presidencial. Os eleitores escolhem todos os integrantes da Câmara dos Representantes e parte dos membros do Senado, além de disputas estaduais e locais.