Tarcísio admite possibilidade de disputar Presidência em 2030
O governador de São Paulo condicionou uma candidatura ao cenário político e à avaliação de seu grupo, após concluir o segundo mandato no estado.
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Tarcísio de Freitas afirmou que poderá concorrer à Presidência em 2030, depois de concluir o segundo mandato como governador de São Paulo. Ele disse que a decisão dependerá do cenário político e de uma avaliação coletiva. O governador também rejeitou contestar o resultado da eleição presidencial e defendeu atuação de oposição.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (29) que poderá disputar a Presidência da República em 2030, após concluir o segundo mandato no estado. A declaração foi dada em entrevista, em meio à saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, depois de perder a eleição presidencial de 2026 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Tarcísio disse que uma eventual candidatura dependerá do cenário político e de uma avaliação coletiva. “A gente tem que ver qual é o cenário de momento. E claro, eu vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. E terminando o segundo mandato, terminando bem, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, você não avalia sozinho”, afirmou.
O governador havia sido cogitado como candidato ao Planalto antes de Jair Bolsonaro (PL) escolher o filho mais velho para a disputa. Tarcísio apoiou a decisão e concorreu à reeleição em São Paulo, vencendo no primeiro turno com 62,65% dos votos, ou 14.491.874. O estado é o maior colégio eleitoral do país.
Na eleição presidencial, Flávio recebeu 14.139.178 votos em São Paulo no segundo turno, 352.696 a menos que a votação de Tarcísio na eleição estadual. Lula obteve 12.119.274 votos, ante 8.423.656 de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo paulista. Os resultados envolvem cargos e turnos diferentes e não permitem concluir que houve transferência individual de votos.
O comparecimento às urnas aumentou em 970.133 eleitores entre as duas votações, enquanto a redução de votos brancos e nulos contribuiu para elevar em 3.127.939 o total de votos válidos. Tarcísio afirmou que respeita o resultado presidencial e defendeu uma atuação de oposição. “Não cabe contestar o resultado das urnas. Nós somos democratas, o resultado das urnas é soberano”, declarou.
O governador rejeitou a alegação de fraude eleitoral feita por Flávio, mas atribuiu a derrota do senador a medidas de gastos adotadas pelo governo Lula no fim da campanha. Segundo Tarcísio, o presidente lançou um “pacote de gastos desmedidos nessa reta final”, que teria conseguido “iludir o cidadão”.
Flávio deixou o país após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar a entrega de seu passaporte. Imagens registradas na quarta-feira (28) mostraram o senador desembarcando no aeroporto executivo de Opa-Locka, em Miami. Na mesma noite, ele publicou duas versões de uma carta: na primeira, chamou-se de “verdadeiro presidente eleito do Brasil”; na segunda, substituiu a expressão por “líder do Brasil”.
Nas duas versões, o senador sustentou que houve fraude na eleição, citando a extensão do horário de votação e o suposto uso da máquina pública em favor de Lula. Flávio defendeu que esses argumentos justificariam a cassação da chapa vencedora. Tarcísio, por sua vez, afirmou que o resultado deve ser respeitado e que cabe à oposição cobrar o governo.