Linfoma tipo B de Netinho causa a morte do cantor aos 60 anos
Diagnosticado em 2025, o câncer entrou em remissão e voltou mais agressivo em 2026; o subtipo específico da doença não foi informado.
Resumo em 30 segundos
Netinho morreu em Salvador, aos 60 anos, após complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B. Diagnosticado em março de 2025, o câncer entrou em remissão naquele ano e voltou em maio de 2026, de forma mais agressiva. O texto explica sintomas, diagnóstico e tratamentos possíveis para esse grupo de doenças.
O cantor Netinho morreu nesta terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, em Salvador, após complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B. A doença, diagnosticada em março de 2025, entrou em remissão naquele ano, mas voltou em maio de 2026, quando o artista informou que havia reaparecido de forma mais agressiva.
Uma publicação nas redes sociais do cantor informou que o quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. Netinho estava em tratamento contra o câncer, que atinge células do sistema imunológico.
O linfoma não Hodgkin reúne diferentes tipos de câncer originados nos linfócitos, células de defesa que fazem parte do sistema linfático. Essa rede de vasos, gânglios e órgãos transporta a linfa, líquido que contém células imunológicas, e se distribui por várias regiões do corpo. Por isso, os tumores podem surgir em diferentes locais.
A designação “tipo B” indica que a doença se originou em linfócitos B, responsáveis por produzir anticorpos, proteínas que ajudam o organismo a reconhecer e combater agentes infecciosos. Os linfomas de células B correspondem a cerca de 85% dos casos de linfoma não Hodgkin, segundo o A.C. Camargo Cancer Center.
A classificação, porém, não define sozinha a agressividade ou o prognóstico. O linfoma difuso de grandes células B, por exemplo, costuma crescer rapidamente, enquanto o folicular geralmente tem evolução mais lenta. O linfoma de Burkitt é outro subtipo de células B, mas as informações sobre o caso de Netinho não identificam qual subtipo específico ele tinha.
A expressão “linfoma de alto grau” se refere a tumores que tendem a crescer e se espalhar rapidamente. A velocidade de evolução e as opções de tratamento dependem do subtipo confirmado por exames. O termo “linfoma mediastinal” costuma designar tumores localizados no mediastino, região central do tórax; não há informação de que esse tenha sido o local da doença do cantor.
Entre os sinais frequentes estão gânglios aumentados, percebidos como caroços geralmente indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha. Também podem ocorrer febre persistente sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso inexplicada, cansaço, fraqueza e coceira. Quando há comprometimento do tórax, podem surgir tosse ou falta de ar.
A confirmação costuma depender de uma biópsia, exame em que uma amostra de tecido é analisada em laboratório. Exames de sangue e de imagem, como tomografia e ressonância magnética, ajudam a verificar a extensão da doença. Em alguns casos, também é avaliada a medula óssea, onde são produzidas as células do sangue.
O tratamento varia conforme o subtipo, o estágio do câncer e as condições clínicas do paciente. Pode envolver quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia, além de terapias-alvo, que atuam sobre características das células tumorais. Em determinadas situações, são consideradas a terapia CAR-T, que modifica células de defesa do próprio paciente para combater o câncer, e o transplante de células-tronco hematopoéticas.
Alguns linfomas de crescimento lento podem ser acompanhados sem tratamento imediato, enquanto os tipos agressivos costumam exigir intervenção rápida. A classificação como tipo B, portanto, não permite concluir por si só se a doença tem cura: essa avaliação depende do subtipo e da extensão do tumor. O Instituto Nacional de Câncer estima 12.560 novos casos anuais de linfoma não Hodgkin no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres.
Para entender
- Linfoma não Hodgkin
- É um grupo de cânceres que se originam em linfócitos, células do sistema imunológico. Há diferentes subtipos, com ritmos de crescimento e respostas ao tratamento variados; por isso, o nome geral da doença não determina sozinho sua agressividade ou prognóstico.