STJ abre processo disciplinar contra ex-chefe de gabinete
Daimler Alberto de Campos foi denunciado pela PGR, mas não indiciado pela Polícia Federal, que não encontrou confirmação das mensagens atribuídas ao lobista Andreson.
Resumo em 30 segundos
A presidência do STJ abriu processo administrativo disciplinar contra Daimler Alberto de Campos, ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti. Ele foi denunciado pela PGR sob suspeita de corrupção passiva e violação de sigilo funcional, mas a PF não o indiciou. A defesa afirma que ele é inocente e nunca teve contato com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves.
A presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu um processo administrativo disciplinar contra Daimler Alberto de Campos, ex-chefe de gabinete da ministra Isabel Gallotti, para apurar suspeitas de venda de decisões judiciais ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves. A medida foi determinada em Brasília e decorre de fatos investigados pela Operação Sisamnes, da Polícia Federal.
Daimler é o terceiro servidor do STJ a ser alvo de um processo disciplinar relacionado à investigação. Ele também foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob suspeita de corrupção passiva e violação de sigilo funcional. Segundo diálogos atribuídos a Andreson, o servidor teria recebido valores para influenciar decisões de Gallotti.
A Polícia Federal, porém, não indiciou Daimler. Na avaliação dos investigadores, as mensagens do lobista não foram confirmadas por outros elementos. A defesa afirma que Andreson usou o nome do ex-chefe de gabinete sem autorização e que Daimler nunca teve contato com ele.
A decisão que abriu o processo disciplinar afirma que a denúncia criminal apresentada pela PGR aponta indícios de autoria e materialidade suficientes para justificar a apuração administrativa. Daimler já estava afastado do cargo por determinação do ministro Cristiano Zanin, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, o advogado Bernardo Fenelon disse que o processo administrativo é um desdobramento da investigação criminal e não se baseia em fatos novos. “Temos convicção na inocência de nosso cliente. Inexistem provas que demonstrem participação nos fatos”, afirmou. A defesa também declarou que o nome de Daimler teria sido usado “de forma espúria” por causa do cargo que ele ocupava.
A Operação Sisamnes foi deflagrada em novembro de 2024, depois que a análise do celular de um advogado assassinado levou a Polícia Federal a investigar o possível vazamento de minutas de decisões de ministros do STJ. A apuração examina suspeitas de negociação de decisões e de acesso indevido a informações sobre processos em andamento.
Entre os outros servidores investigados, Márcio Toledo Pinto foi demitido após um processo disciplinar que apontou vazamentos de informações processuais. A Polícia Federal identificou pagamentos de uma empresa ligada a Andreson a uma empresa de fachada aberta em nome da mulher de Márcio. Já o processo contra Waleska Bertolini Vieira Mussalem, que trabalhava no gabinete do ministro Moura Ribeiro, foi arquivado por falta de indícios de irregularidade.
A presidência do STJ também aguarda informações atualizadas da Polícia Federal antes de decidir se abre uma apuração interna contra Rodrigo Falcão, ex-chefe de gabinete do ministro Og Fernandes. Ele foi demitido após o início das investigações. Os gabinetes de Moura Ribeiro e Og Fernandes negaram envolvimento no caso.
A investigação se ampliou para suspeitas envolvendo ministros. Moura Ribeiro passou a ser alvo de um inquérito para aprofundar apurações sobre decisões em seu gabinete, e o ministro aposentado Marco Buzzi é investigado em outro procedimento. Ambos negam irregularidades. Separadamente, o então secretário de Tecnologia da Informação do STJ, Humberto Pradeira, foi demitido na semana passada por suspeita de vazamento de informações a um advogado e foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta segunda-feira, 19.
Para entender
- Operação Sisamnes
- Investigação da Polícia Federal iniciada após a análise do celular de um advogado assassinado. Apura suspeitas de vazamento de minutas de decisões e de acesso indevido a informações sobre processos em andamento no Superior Tribunal de Justiça.