SPTrans registra 58,6% das viagens de ônibus previstas no 2º turno
Foram monitoradas por GPS 95.552 das 163.015 viagens programadas em São Paulo; a prefeitura afirma ter aplicado mais de R$ 1 milhão em multas.
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A SPTrans registrou por GPS 95.552 das 163.015 viagens de ônibus programadas para o segundo turno em São Paulo, equivalente a 58,6%. A decisão judicial determinava oferta compatível com a de dias úteis. A prefeitura afirmou que multou em mais de R$ 1 milhão empresas que não cumpriram o número previsto de viagens.
A Prefeitura de São Paulo cumpriu 58,6% das viagens de ônibus programadas para o domingo de segundo turno, dia 25, segundo dados da SPTrans enviados ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Dos 163.015 trajetos previstos na capital, 95.552 foram registrados por GPS, embora uma decisão judicial determinasse a circulação de 100% da frota.
O documento foi apresentado nesta terça-feira (27) no âmbito de uma ação civil pública. De acordo com a SPTrans, o sistema transportou cerca de 3,2 milhões de passageiros naquele domingo. A diferença entre viagens previstas e monitoradas foi registrada em todas as regiões da cidade, com maior impacto proporcional na área central.
Na zona leste, região com maior concentração de passageiros, foram realizadas 35 mil das 61,3 mil partidas programadas. O movimento de usuários se concentrou pela manhã: o pico ocorreu às 9h, com 287 mil passageiros, seguido por 283 mil às 10h e 275 mil às 11h. Às 8h, já eram 251 mil passageiros nos ônibus.
O fluxo diminuiu depois do período de maior movimento. Às 17h, quando houve um novo aumento nas partidas monitoradas, foram transportados 144,3 mil passageiros — cerca da metade do pico registrado às 9h. O horário das urnas havia sido estendido até as 19h em meio a relatos de problemas no transporte em São Paulo e Salvador.
Em nota, a prefeitura afirmou que a SPTrans aplicou mais de R$ 1 milhão em multas às empresas que não cumpriram o número de viagens previsto. A gestão disse também que o presidente do TRE-SP não identificou insuficiência de transporte no segundo turno e que o Ministério Público se manifestou contra o prosseguimento de uma ação popular apresentada por parlamentares do PSOL sobre o tema.
Na terça-feira, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia afirmado que 71% da frota circulou na cidade. Segundo ele, foram disponibilizados 8.814 ônibus, de um total aproximado de 12 mil veículos. O percentual se refere à frota, enquanto os 58,6% calculados a partir dos registros da SPTrans correspondem à proporção de viagens monitoradas em relação às programadas.
A determinação judicial exigia que a oferta de transporte coletivo no dia da votação fosse compatível com a de dias úteis. A regra, em vigor desde 2023 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), havia sido lembrada à prefeitura meses antes por meio de comunicações do TRE-SP, do Ministério Público de São Paulo e da Defensoria Pública da União.
No processo, a gestão apresentou uma lista com os horários em que informou as cerca de 40 empresas operadoras sobre a ordem de manter 100% da frota em circulação. Os avisos foram enviados entre 14h e 15h de sábado, dia 24. A prefeitura também declarou que, em julho, respondeu a um ofício do TRE-SP dizendo que ofereceria transporte compatível com a demanda de passageiros e que respondeu a comunicações de outros órgãos.
A extensão do horário de votação foi determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin diante de problemas de transporte relatados em São Paulo e Salvador. Posteriormente, a medida foi limitada às seções eleitorais que ainda estavam abertas. A Polícia Federal abriu apurações sobre as dificuldades no transporte público durante o segundo turno.
Para entender
- SPTrans
- Empresa pública responsável pela gestão do sistema municipal de ônibus da cidade de São Paulo, incluindo o planejamento e o acompanhamento da operação das linhas.
- TRE-SP
- O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo é responsável pela organização e fiscalização das eleições no estado, em conjunto com a Justiça Eleitoral.