Snap faz acordo em processo sobre saúde mental de jovens nas redes sociais
O valor não foi divulgado; com o acerto, não deve ocorrer o julgamento em Los Angeles sobre acusações de uso compulsivo e danos à saúde mental dos jovens.
Resumo em 30 segundos
A Snap chegou a um acordo com duas adolescentes que a acusam de contribuir para problemas de saúde mental com recursos que estimulariam o uso compulsivo do Snapchat. O valor é confidencial. Como Meta, TikTok e YouTube também já fizeram acordos no caso, o julgamento previsto em Los Angeles não deve ocorrer.
A Snap, empresa controladora do Snapchat, fez um acordo com duas adolescentes que a acusam de criar recursos para estimular o uso compulsivo da plataforma e contribuir para problemas de saúde mental. O acerto foi anunciado nesta segunda-feira (2), antes do julgamento previsto em um tribunal estadual de Los Angeles, nos Estados Unidos; o valor não foi divulgado.
As autoras, identificadas como S.J., de 16 anos, e K.D.B., de 18, afirmam que o uso de redes sociais começou na infância e se tornou compulsivo. Segundo a ação, recursos como reprodução automática de vídeos e rolagem infinita contribuíram para depressão, ansiedade e transtornos alimentares. As empresas negam que tenham desenvolvido os serviços para viciar jovens e dizem ter adotado medidas para tornar os aplicativos seguros.
O acordo com a Snap veio depois de acertos com as outras empresas citadas no processo: Meta, TikTok e YouTube, pertencente à Alphabet. Com isso, o julgamento que estava prestes a começar não deve ocorrer. A Snap seria a única ré restante no caso, e seu diretor-executivo, Evan Spiegel, era esperado para depor.
Os advogados das adolescentes afirmaram que os acordos permitem seguir buscando responsabilização das empresas pelos efeitos de suas ações sobre crianças. A Snap não se manifestou imediatamente sobre o acerto.
O caso faz parte de uma série de processos movidos nos Estados Unidos por jovens, famílias, escolas, municípios e órgãos públicos. As ações sustentam que as plataformas foram projetadas para incentivar o uso excessivo e relacionam esse modelo a problemas como ansiedade, depressão e suicídio entre adolescentes. Os processos ainda precisam ser analisados individualmente, e as acusações não equivalem a uma conclusão judicial sobre todos os casos.
Em março, um júri de Los Angeles considerou Meta e YouTube negligentes em um processo semelhante e determinou o pagamento de US$ 6 milhões a uma jovem. O resultado é observado por autores de ações parecidas, mas não decide automaticamente os demais processos. Acordos antes de julgamentos encerram as disputas específicas sem que um júri avalie as alegações contra as empresas.
O debate envolve mecanismos de design que podem prolongar o tempo de uso. A reprodução automática inicia outro conteúdo sem que a pessoa precise escolher, enquanto a rolagem infinita carrega novas publicações à medida que o usuário avança pela tela. Esses recursos, comuns em serviços digitais, são apontados pelos autores das ações como parte do problema; as empresas contestam que sejam prova de uma intenção de causar dependência.
Em agosto, a Meta também fechou acordos que podem chegar a US$ 18 bilhões com quase todos os Estados e territórios norte-americanos, em ações apresentadas por procuradores-gerais sobre danos a adolescentes. A empresa se comprometeu a alterar o funcionamento do Instagram e do Facebook para jovens. Parte do pagamento, US$ 5 bilhões, ficou condicionada a acordos semelhantes dos Estados com Snap, TikTok e YouTube.