EUA anunciam centro de inteligência artificial ligado a Itaipu
Parceria entre a americana Crusoe e a paraguaia Araico prevê início das operações em meados de 2027, para atender serviços de nuvem na região.
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O projeto prevê instalar no Paraguai um centro de processamento de dados para inteligência artificial abastecido com energia de Itaipu. A iniciativa será desenvolvida pelas empresas Crusoe e Araico e deve começar a operar em meados de 2027. Os EUA também anunciaram medidas de segurança e ajuda financeira ao Paraguai.
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (21) um projeto para instalar no Paraguai um centro de processamento de dados voltado à inteligência artificial, abastecido com energia da usina de Itaipu. A iniciativa será desenvolvida pelas empresas Crusoe, dos EUA, e Araico, do Paraguai, e tem previsão de começar a operar em meados de 2027.
A estrutura terá equipamentos de alta capacidade para processar dados e atender empresas que usam serviços de computação em nuvem nos Estados Unidos e na América Latina. Esse tipo de serviço permite armazenar e acessar dados e programas pela internet, em vez de depender apenas de computadores locais.
O Departamento de Estado americano não informou o valor do investimento nem o volume de eletricidade previsto para o centro. A pasta afirmou, porém, que o empreendimento poderá se tornar “um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai”.
O anúncio foi feito durante a visita a Assunção do vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau. Nesta semana, ele se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano para tratar de investimentos e da cooperação bilateral.
Itaipu é administrada em conjunto por Brasil e Paraguai. Pelo tratado que rege a usina, cada país tem direito à metade da energia produzida; a parcela que um deles não utiliza pode ser comprada pelo outro. Os governos discutem mudanças nas regras de comercialização previstas no Anexo C do tratado. O Brasil não foi citado no comunicado americano sobre o novo centro.
O projeto de inteligência artificial foi anunciado em meio a outros entendimentos entre Washington e Assunção. Os Estados Unidos também divulgaram investimentos no setor de mineração e acordos relacionados ao combate ao narcotráfico, à segurança das fronteiras e à cooperação nuclear.
Entre as medidas de segurança anunciadas está a abertura, em Assunção, de um escritório do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, na sigla em inglês). Segundo o Departamento de Estado, a unidade servirá para coordenar programas no Cone Sul. Washington também pretende enviar à capital paraguaia um conselheiro de embaixada para assuntos de contraterrorismo, o primeiro posto desse tipo no país.
Os acordos incluem ainda US$ 5,5 milhões em ajuda para ampliar o combate ao financiamento do terrorismo e colocar em funcionamento um novo centro antiterrorismo. O Paraguai integra o Escudo das Américas, aliança de segurança e combate ao narcotráfico impulsionada pelo governo de Donald Trump.