Little Wicomico Oyster Company tem ostras ligadas a surto nos EUA
O CDC registra 27 casos de salmonela em 12 estados e cinco hospitalizações; consumidores e estabelecimentos devem descartar as ostras recolhidas.
Resumo em 30 segundos
Um surto de salmonela associado a ostras cruas da Little Wicomico Oyster Company deixou 27 pessoas doentes em 12 estados americanos; cinco foram hospitalizadas e não houve mortes. As autoridades recomendam não consumir os mariscos recolhidos e higienizar utensílios e superfícies que possam ter tido contato com eles.
Um surto de salmonela associado ao consumo de ostras cruas colhidas pela Little Wicomico Oyster Company, na Virgínia, deixou 27 pessoas doentes em 12 estados dos Estados Unidos. Cinco pacientes foram hospitalizados, e não houve mortes, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão de saúde pública americano. As ostras foram recolhidas após a identificação de uma possível contaminação.
Os mariscos foram retirados do rio Little Wicomico, que deságua na baía de Chesapeake, e colhidos entre 18 de setembro e 8 de outubro. Eles foram distribuídos em 15 estados. Em 9 de outubro, as autoridades suspenderam a colheita na baía e emitiram um alerta de recolhimento, oito dias depois do início da temporada.
A recomendação é que consumidores não comam as ostras recolhidas e as descartem. Pessoas e estabelecimentos também devem limpar com água quente e sabão, ou em uma máquina de lavar louça, utensílios e superfícies que possam ter entrado em contato com os produtos. Restaurantes e outros comércios foram orientados a não vender nem servir os mariscos.
A Pensilvânia registrou oito casos, o maior número entre os estados afetados, seguida por Nova York, com quatro. Houve três casos na Virgínia; dois em cada um dos estados de Colorado, Indiana e Maryland; e um em Connecticut, Flórida, Kentucky, Illinois, Iowa e Nova Jersey.
O CDC informou que os pacientes tinham, em média, 41 anos; 60% eram homens e 80% eram brancos. Entre 13 pessoas entrevistadas, dez disseram ter comido ostras cruas antes de adoecer. Ainda não foi determinada a forma como os mariscos foram contaminados. Uma possibilidade é que esgoto tenha chegado à água em que eram cultivados, mas as autoridades não confirmaram essa hipótese.
A salmonela é uma bactéria transmitida pela ingestão de alimentos contaminados. Os sintomas podem incluir diarreia, febre e cólicas abdominais, e normalmente aparecem entre seis e 72 horas depois do consumo. Em geral, melhoram em até uma semana, embora possam persistir por mais tempo; algumas pessoas também demoram várias semanas para apresentar sinais da infecção.
A intensidade da doença varia conforme a quantidade de alimento consumida e o nível de contaminação. O diagnóstico pode ser confirmado por exames laboratoriais, geralmente feitos com amostras de fezes ou vômito. Nos quadros leves e moderados, o cuidado costuma envolver repouso e ingestão de líquidos. Em determinadas situações, profissionais de saúde podem indicar reposição de eletrólitos ou medicamentos para aliviar sintomas.
Antibióticos não costumam ser recomendados para casos leves ou moderados, pois podem não eliminar completamente as bactérias e contribuir para a resistência aos medicamentos. Eles são reservados sobretudo a pessoas de grupos de risco, como bebês, idosos e pacientes imunossuprimidos, em especial quando a infecção se espalha para além do intestino. Se os sintomas durarem mais de três dias, a orientação é procurar atendimento médico para nova avaliação.
O risco ligado às ostras está relacionado ao modo como esses animais se alimentam: por filtrarem a água, podem concentrar microrganismos em seus tecidos. Além da salmonela, mariscos crus podem transmitir outros agentes causadores de doenças, como Vibrio e norovírus. Por isso, a recomendação de segurança é consumir ostras e outros mariscos, como mexilhões e amêijoas, cozidos.
Cuidados com a conservação também ajudam a reduzir o risco de intoxicação alimentar. Alimentos perecíveis devem permanecer refrigerados, cobertos e fora do alcance de insetos; quando ficam sem refrigeração, o tempo e a temperatura favorecem a multiplicação de bactérias. Em bufês, alimentos mornos merecem atenção: bactérias podem se multiplicar rapidamente quando pratos quentes são mantidos abaixo de 60°C.
Para entender
- Salmonela
- Bactéria que pode causar infecção após a ingestão de alimentos contaminados. Os sintomas mais comuns incluem diarreia, febre e cólicas abdominais. A gravidade varia, e a infecção pode ser especialmente preocupante para bebês, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.