Samsung prevê escassez de memórias mais intensa até 2028
A empresa diz que já não tem memória HBM disponível para atender encomendas de todo o ano de 2027, enquanto a demanda por chips de IA cresce.
Resumo em 30 segundos
A Samsung prevê que a escassez global de memórias se agrave até 2028, impulsionada pela demanda por chips usados em inteligência artificial. A empresa afirma que já não tem estoque de HBM para atender encomendas de todo o ano de 2027. A transferência de produção para esse segmento pode reduzir a oferta de DRAM convencional.
A Samsung prevê que a escassez global de memórias vai se agravar até 2028, impulsionada pela demanda por chips usados em inteligência artificial. A empresa informou, durante a apresentação dos resultados do terceiro trimestre, que já não tem estoque de memórias de alta largura de banda (HBM) disponível para atender encomendas de todo o ano de 2027.
A HBM é um tipo de memória desenvolvido para transferir grandes volumes de dados rapidamente e é usado, entre outras aplicações, em servidores e sistemas de inteligência artificial. A procura por esses chips levou fabricantes, incluindo a Samsung, a direcionar parte da produção de memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM) para esse segmento, reduzindo a oferta de memórias convencionais voltadas a computadores e outros produtos de consumo.
Jaejune Kim, vice-presidente executivo de vendas globais de memórias da Samsung, relacionou a pressão sobre a oferta à complexidade crescente da fabricação. Segundo ele, os padrões HBM4E e HBM5 exigem matrizes maiores e mais camadas de processamento metálico, o que torna a produção mais complexa.
A Samsung planeja começar a fabricação em larga escala da HBM4E no primeiro semestre de 2027. Ainda assim, a companhia projeta que a procura deverá pressionar os estoques com mais intensidade do que em 2026. Como as memórias para servidores têm maior rentabilidade, os fabricantes têm priorizado esse mercado, enquanto a demanda por componentes também cresce.
A redução da oferta de DRAM tradicional pode afetar consumidores por meio de menor disponibilidade e possíveis aumentos de preço em produtos que utilizam memória, embora a Samsung não tenha informado valores ou prazos para eventuais mudanças no varejo. A falta de componentes também pode atingir fabricantes de computadores e outros equipamentos, que dependem do fornecimento regular de chips.
Os resultados financeiros apresentados pela empresa refletem a força do setor de semicondutores nesse cenário. A Samsung registrou receita total de 195,3 trilhões de won sul-coreanos no trimestre, cerca de R$ 800 bilhões, segundo conversão direta. A divisão de semicondutores respondeu por 147,1 trilhões de won em vendas e teve lucro de 106,5 trilhões de won.
A previsão de escassez até 2028 indica que o desequilíbrio entre a oferta de memórias convencionais e a procura por chips para inteligência artificial pode persistir mesmo com a entrada de novos padrões de HBM. A mudança de capacidade produtiva para atender servidores é um dos fatores que conecta a expansão da IA à disponibilidade de memória para o mercado consumidor.