Rússia amplia alcance e poder dos drones Geran usados na Ucrânia
As versões Geran-4 e Geran-5 podem superar 480 km/h e receber novas ogivas; antenas e sistemas de comunicação também foram modificados.
Resumo em 30 segundos
A Rússia adaptou os drones iranianos Shahed, rebatizados de Geran, com antenas mais resistentes a interferências, câmeras e comunicação que permitem redirecionar alguns modelos durante o voo. As mudanças incluem motores a jato, fuselagens remodeladas e ogivas maiores. As alterações são testadas em combate e podem chegar à produção em semanas.
A Rússia modificou os drones iranianos Shahed usados na guerra contra a Ucrânia, rebatizados de Geran, com novos sistemas de navegação e comunicação, motores mais velozes e cargas explosivas maiores. As mudanças são desenvolvidas principalmente nas fábricas de Alabuga e Izhevsk e, segundo analistas, podem ser incorporadas em semanas após testes em combate.
Os modelos iniciais tinham quatro elementos nas antenas. Para enfrentar interferências que podem bloquear sinais de navegação, engenheiros russos passaram a usar módulos com oito, 12 e até 16 elementos, organizados em diferentes configurações. Os drones também receberam componentes comerciais, como cartões SIM, câmeras de alta definição e redes de comunicação em malha.
Com esses recursos, algumas versões podem transmitir imagens a um operador, que acompanha o voo e pode redirecionar o aparelho durante a missão. A mudança amplia as funções do Geran em relação ao Shahed original, que voava com uma rota previamente programada até uma coordenada.
As ogivas também ficaram maiores. A carga iraniana original pesava 53,5 quilos; em Alabuga, foram desenvolvidas versões com quase 90 quilos, que combinam fragmentação, explosivos de alto poder e efeito incendiário. Em Izhevsk, a instalação de duas ogivas BST-52 em posições opostas resultou em uma carga combinada de quase 104 quilos.
Outra adaptação foi a instalação de motores a jato chineses, que podem levar a velocidade dos drones a mais de 480 km/h, cerca do dobro da anterior. Como a fuselagem original de fibra de vidro não suportava o esforço nessa velocidade, as versões mais recentes, incluindo o Geran-4 e o Geran-5, passaram a ter formatos mais próximos aos de mísseis de cruzeiro. Alguns aparelhos maiores também podem transportar e lançar drones menores.
A produção está concentrada em duas instalações no leste da Rússia europeia. Izhevsk prioriza o acabamento, enquanto Alabuga, na República do Tartaristão, funciona como um centro de testes rápidos. Ali, soluções improvisadas, como modems fixados com fita adesiva, podem ser experimentadas em operações; se funcionarem, entram na produção regular.
A análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), publicada em setembro, descreve um ciclo de adaptação em que o retorno do campo de batalha orienta mudanças no projeto. Desde a chegada dos primeiros Shahed iranianos, em 2022, os russos passaram a atualizar os aparelhos em períodos de semanas, em vez de anos.
O coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho afirmou que a guerra acelerou decisões e melhorias na indústria de defesa russa. Para as pesquisadoras do CSIS, o desafio para países ocidentais está no modelo de produção: processos de certificação e desenvolvimento mais longos podem dificultar que forças em tempo de paz acompanhem a velocidade das alterações testadas em combate.
Para entender
- CSIS
- O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais é uma organização independente de pesquisa e análise sediada nos Estados Unidos. Publica estudos sobre segurança internacional, defesa e política externa.