Rogério Marinho e Tereza Cristina negociam acordo para o Senado
A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027, e aliados defendem comparar em janeiro as estimativas de votos antes de escolher quem disputará a vaga.
Resumo em 30 segundos
Rogério Marinho e Tereza Cristina mantêm suas candidaturas à presidência do Senado, mas combinaram não concorrer um contra o outro. A proposta em discussão prevê que um dispute a eleição de 2027 e o outro fique como nome de consenso para 2029. A decisão dependerá de estimativas de votos e de negociações entre aliados.
Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) discutem um acordo para evitar que a oposição divida votos na eleição à presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027. A proposta prevê que um deles concorra em 2027 e o outro fique como nome de consenso para a disputa de 2029, mas os senadores ainda não definiram quem teria prioridade.
Os dois mantêm as candidaturas e combinaram que não disputarão um contra o outro. Aliados defendem que a decisão seja tomada até fevereiro, após uma comparação das estimativas de votos dos parlamentares em janeiro. Tereza Cristina busca ser a primeira mulher a presidir o Senado; a senadora representa Mato Grosso do Sul e integra o PP.
A deputada e senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) apoia a ideia de reservar a disputa de 2029 para Tereza. “Tenho confiança que um acordo será feito entre pessoas de boa vontade e que querem o bem do país”, afirmou. Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte, oficializou a candidatura nesta semana e procura ampliar o apoio além das bancadas do PL e do Novo.
A eleição exige pelo menos 41 votos, entre os 81 senadores. O PL terá 29 integrantes a partir de fevereiro; somados aos três do Novo, são 32. Outra estimativa citada por aliados de Marinho aponta 38 votos considerados sólidos, mas ainda seriam necessários ao menos três apoios adicionais para alcançar a maioria.
Marinho pretende convidar Efraim Filho (PL-PB) para coordenar a campanha. Embora seja do mesmo partido, Efraim tem proximidade com Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado. Tereza aposta em seu trânsito entre diferentes siglas e conta com o apoio de Damares Alves (Republicanos-DF), que avalia que ela pode atrair votos além da oposição.
Alcolumbre busca a reeleição e tem apoio das direções da federação União-PP, do MDB e do PSD, além de uma tendência de adesão do PT. Ele também tenta atrair senadores da direita com espaços de influência e relatorias. Entre os movimentos recentes está a escolha de Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que orienta a elaboração do orçamento federal. Tereza havia recebido convite para a função, mas recusou.
A possibilidade de um acordo para duas eleições também considera as regras de recondução. A Constituição impede que um integrante da Mesa Diretora seja reeleito para o mesmo posto dentro da mesma legislatura. Assim, quem vencer em 2027 não poderá disputar a recondução em 2029; o eleito naquele ano poderá tentar permanecer no cargo em 2031, quando começa uma nova legislatura. A composição de apoios, porém, pode mudar ao longo do período, e Alcolumbre deve contar com apoio do governo.
Para entender
- Mesa Diretora do Senado
- A Mesa Diretora é o órgão que conduz os trabalhos administrativos e legislativos do Senado. A presidência é um de seus postos, e a composição é escolhida pelos senadores no início de cada período legislativo.