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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Roberto Melo propõe debate sobre SAF e reestruturação das dívidas do Inter

Candidato à presidência afirma que, se eleito, levará o tema ao Conselho Deliberativo; primeiro turno da eleição está marcado para 9 de novembro.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Documentos financeiros sobre uma mesa diante de um estádio de futebol vazio. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Documentos financeiros sobre uma mesa diante de um estádio de futebol vazio.
Resumo em 30 segundos

Roberto Melo afirmou que, se eleito presidente do Internacional, levará ao Conselho Deliberativo a discussão sobre transformar o clube em SAF. Ele defende reorganizar as finanças antes de avaliar investidores e propõe priorizar salários e dívidas urgentes. O candidato também apresentou planos para a gestão do futebol e das categorias de base.

O candidato à presidência do Internacional Roberto Melo afirmou nesta sexta-feira, 23, que, se eleito, levará ao Conselho Deliberativo a discussão sobre transformar o clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em sabatina sobre a eleição no Inter, ele disse que o modelo não garante, por si só, boa gestão, e defendeu reestruturar as finanças antes de considerar propostas de investidores.

“SAF não é uma solução mágica, ela também não é uma vilã e não é sinônimo de boa gestão, assim como o clube associação também não é”, afirmou Melo. Para ele, há exemplos positivos e negativos entre SAFs, assim como entre clubes mantidos como associações. O candidato considera provável que a maioria dos clubes brasileiros adote o modelo no futuro, mas disse que o Inter precisa estar em condições de escolher um investidor adequado.

Melo declarou que o clube deve buscar uma proposta de um investidor sério, e não de um especulador que prometa recursos e depois deixe o Internacional em situação pior. A SAF é uma forma jurídica que permite separar o futebol da associação e atrair investidores; a mudança, porém, não substitui decisões de gestão nem resolve automaticamente dívidas ou problemas operacionais. No caso do Inter, qualquer proposta teria de ser avaliada pelo clube e debatida no Conselho Deliberativo, segundo o candidato.

A situação financeira foi um dos principais temas da entrevista. Melo descreveu a dívida do clube como próxima de R$ 1 bilhão e disse que não há uma solução única. Seu plano prevê atuar em três frentes durante a transição: organizar o caixa e priorizar pagamentos urgentes, analisar qual modelo de reestruturação da dívida é mais adequado e ajustar receitas e despesas para evitar gastos superiores à arrecadação.

Entre as prioridades, ele citou os salários de funcionários e jogadores e débitos que provocam impedimentos operacionais. Melo relacionou a falta de liquidez a salários atrasados e a transfer bans, sanções que podem impedir um clube de registrar novos atletas enquanto determinadas pendências não forem resolvidas. Segundo ele, uma consultoria contratada pelo Inter havia apontado medidas no início do ano que, se adotadas, poderiam ter melhorado o fluxo de caixa e evitado parte desses problemas.

O candidato disse que não pretende decidir sobre recuperação judicial antes de examinar as contas e identificar quais dívidas estão vencendo e quais se enquadram nesse tipo de processo. Também mencionou a regulação da ANRESF e um plano coletivo de pagamentos apresentado pelo Inter, que, segundo ele, gerou um evento de insolvência e restrições ao clube. Para liberar o Internacional, afirmou, será necessário cumprir esse plano e apresentar outra proposta de reestruturação financeira para os próximos dois mandatos.

Melo afirmou que a futura gestão deverá comparar a renegociação extrajudicial com a recuperação judicial, considerando os efeitos financeiros e esportivos de cada alternativa. Ele citou um relatório da Alvarez & Marsal segundo o qual, mesmo com recuperação judicial, o clube precisaria captar cerca de R$ 100 milhões no primeiro ano e R$ 200 milhões no segundo para cumprir o plano e manter as atividades.

O empresário Delcir Sonda poderá ajudar caso Melo vença a eleição. O candidato disse ter se reunido com ele em São Paulo na semana passada e afirmou que os recursos de Sonda ou de outros investidores seriam destinados ao pagamento de dívidas e a emergências financeiras, não à contratação de jogadores. A prioridade, segundo Melo, seria manter os salários em dia. Ele também declarou que Sonda participaria como investidor, sem precisar ocupar um cargo no clube.

Sonda cobra do Inter um valor próximo de R$ 60 milhões por empréstimos e pela contratação de D’Alessandro, segundo Melo. O candidato afirmou que o empresário queria que a dívida fosse reconhecida e registrada na contabilidade, mas não prometeu que ela será perdoada. Disse acreditar que o assunto poderá ser resolvido de forma favorável ao clube e ao investidor.

Na estrutura de futebol, Melo propõe um CEO com papel central na integração entre o departamento e o orçamento, além de poder de veto a contratações acima do limite financeiro. A estrutura incluiria diretor executivo, coordenador técnico, áreas de observação de atletas, desempenho e saúde. A equipe médica teria participação formal na avaliação de reforços, e o vice de futebol permaneceria por exigência do estatuto, mas sem interferir na rotina dos profissionais.

O candidato também propôs aproximar as categorias Sub-17 e Sub-20 do Beira-Rio, com dois campos e alojamentos na área do estacionamento. Ele disse que o projeto de um centro de treinamento em Guaíba continua no horizonte, mas não é uma solução imediata diante da situação financeira. Para o futebol feminino, afirmou que ainda conversa com possíveis participantes da gestão e defendeu buscar receitas próprias, inclusive por meio de leis de incentivo e patrocínios.

Melo evitou confirmar a permanência de profissionais para 2027 antes do fim do campeonato, marcado para 2 de dezembro. Disse que a prioridade é manter o Inter na Série A e que pretende conversar com o técnico Eduardo Baptista depois da última rodada. Sobre Abel Braga, afirmou ter uma relação próxima e indicou interesse em conversar sobre uma possível participação.

O primeiro turno da eleição será realizado no Conselho Deliberativo em 9 de novembro. Se necessário, a votação dos sócios, no pátio do clube, ocorrerá em 12 de dezembro.

Para entender

Sociedade Anônima do Futebol
A SAF é um tipo societário criado no Brasil para organizar a atividade de futebol profissional. O modelo permite que um clube constitua uma empresa para explorar o futebol e abre possibilidades de investimento, sem que a mudança, por si só, assegure uma gestão eficiente ou resolva dívidas.

Fontes: Zero Hora

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