Roberto Melo propõe renegociar dívida do Inter e debater SAF
O candidato à presidência do Internacional diz que, se eleito, quer discutir a transformação do clube em SAF e avalia alternativas como a recuperação judicial.
Resumo em 30 segundos
Roberto Melo, candidato à presidência do Internacional, propõe alongar as dívidas do clube e reduzir seus custos financeiros. Se eleito, pretende levar ao Conselho Deliberativo, a partir de janeiro, uma discussão sobre a SAF. Ele também cita novas fontes de receita, investimento nas categorias de base e parcerias comerciais.
O candidato à presidência do Internacional Roberto Melo afirma que, se for eleito, pretende reestruturar a dívida do clube, estimada em R$ 940 milhões no último balanço anual, e abrir no Conselho Deliberativo uma discussão sobre a possibilidade de transformar o time em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A eleição terá primeiro turno em 9 de novembro e, se nenhum candidato alcançar 85% dos votos, segundo turno em 12 de dezembro.
Melo é um dos três candidatos e concorre pela segunda vez ao comando do clube. Vice de futebol entre 2017 e 2019, ele foi derrotado por Alessandro Barcellos na eleição anterior e atribui parte da atual crise à ruptura promovida pela gestão do adversário com o trabalho da administração precedente.
O candidato diz que pretende alongar dívidas de curto prazo, reduzir os custos financeiros e reorganizar os compromissos para torná-los mais viáveis. Ele também defende avaliar alternativas como uma recuperação judicial, mas afirma que a medida precisa ser comparada com outros caminhos para enfrentar o endividamento.
A recuperação judicial é um procedimento previsto em lei para permitir que uma empresa em crise negocie com credores um plano de pagamento, sob acompanhamento da Justiça. Melo afirma que uma consultoria contratada pelo Inter no fim do ano passado recomendou que o clube adotasse essa medida o quanto antes. Segundo ele, a atual direção conhecia o diagnóstico desde o início do ano, mas não tomou uma decisão.
O candidato relaciona a situação financeira às dificuldades para contratar jogadores, aos impedimentos de registro conhecidos como transfer bans e a atrasos salariais. Transfer ban é uma sanção que impede um clube de registrar novos atletas, geralmente por pendências financeiras ou disputas em entidades esportivas. Melo afirma que essas restrições podem limitar uma reformulação do elenco, inclusive com jogadores que chegariam sem custo de transferência.
A dívida do Inter mais que dobrou nos últimos anos, segundo Melo, apesar de receitas obtidas com vendas de atletas, recursos extraordinários ligados à liga e patrocínios de empresas de apostas. Ele também critica a falta de investimento no patrimônio e a ausência de um centro de treinamento construído pela gestão atual. O candidato afirma que o clube está na zona de rebaixamento e enfrenta atrasos em pagamentos a jogadores.
Sobre a SAF, Melo diz que não a considera uma solução automática, mas defende que conselheiros e sócios conheçam os modelos possíveis. Caso seja eleito, promete encaminhar a partir de janeiro uma proposta para iniciar o debate no Conselho Deliberativo. A SAF é uma estrutura empresarial criada por lei que permite a clubes de futebol receberem investimentos privados; a decisão de adotá-la envolve discutir o controle, as garantias e a preservação do patrimônio e da identidade do clube.
“Se hoje o Inter tiver uma proposta de SAF, não vai ser uma boa proposta”, afirmou. Para Melo, o clube precisa primeiro se organizar para negociar em melhores condições e proteger sua cultura e seu patrimônio. Ele diz que a reestruturação financeira deve ocorrer ao mesmo tempo que a discussão sobre a SAF, e não ser substituída por ela.
Antes da eleição, Melo afirma ter conversado com fundos de investimento, possíveis patrocinadores e parceiros comerciais, mas ressalta que ainda não pode fechar contratos em nome do clube. Também relata ter intermediado uma doação de R$ 20 milhões do empresário Sonda, parceiro do Inter há anos. De acordo com Melo, o valor, somado aos impostos pagos pelo doador, chegou a cerca de R$ 21 milhões e superou os aproximadamente R$ 14 milhões que estavam atrasados.
Entre as propostas para aumentar receitas, o candidato cita a exploração comercial do complexo do Beira-Rio, a formação de jogadores e a criação de um polo de turismo, entretenimento, cultura e lazer ligado à Orla do Guaíba. Ele afirma que conversou com a CAF, banco de desenvolvimento da América Latina e do Caribe, sobre a possibilidade de desenvolver o projeto com o Internacional e a Prefeitura de Porto Alegre. O próximo passo, segundo ele, é uma reunião com um executivo da instituição no Brasil.
Melo também defende aproximar as categorias de base do elenco profissional e criar condições para que jovens formados no clube tenham mais oportunidades antes de serem negociados. Na área comercial, aponta a falta de um patrocínio master permanente na camisa como um problema e afirma que busca empresas interessadas em investir no Inter.
O candidato projeta 2027 como um ano de estabilização, 2028 como etapa de transformação e 2029 como período para consolidar uma nova fase. Ele diz que não pretende prometer títulos para a próxima temporada e condiciona a retomada esportiva à redução da dívida, à entrada de parceiros e à formação de atletas.