Redistritamento de Trump não evita avanço democrata na Câmara
Nas eleições de meio de mandato dos EUA, democratas venceram em distritos redesenhados e assumirão o controle da Casa em janeiro de 2027.
Resumo em 30 segundos
A tentativa de ampliar a bancada republicana na Câmara dos Representantes com mudanças nos distritos eleitorais não alcançou o resultado esperado. Democratas mantiveram cadeiras no Texas e na Carolina do Norte, venceram disputas em outros estados e conquistaram cinco assentos republicanos na Califórnia. O partido assumirá o controle da Câmara em janeiro de 2027.
O redistritamento eleitoral impulsionado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ampliar a bancada republicana na Câmara não produziu o resultado esperado nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3). Em estados que redesenharam distritos para favorecer o partido, democratas mantiveram cadeiras e também derrotaram republicanos; na Califórnia, conquistaram cinco assentos que estavam com o Partido Republicano. A oposição assumirá o controle da Câmara em janeiro de 2027.
Os republicanos projetavam obter até 15 cadeiras a mais com alterações nos mapas de sete estados. Os resultados projetados após a votação apontam, porém, que o partido pode terminar com até oito deputados a menos nessas regiões. As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do mandato presidencial e, neste pleito, definiram a composição da Câmara.
Redistritamento é a revisão das fronteiras dos distritos que elegem deputados. Ao mudar quais eleitores ficam agrupados em cada área, os partidos podem aumentar ou reduzir as chances de seus candidatos. Nos Estados Unidos, a revisão costuma acontecer a cada dez anos, depois do censo populacional, mas Trump incentivou estados republicanos a antecipá-la para tentar conservar a maioria na Câmara. Governos democratas responderam com medidas semelhantes, desencadeando uma disputa pelos mapas eleitorais.
No Texas, os republicanos aprovaram em agosto um novo desenho com a expectativa de conquistar até cinco cadeiras. Os democratas Henry Cuellar, do 28º distrito, e Vicente Gonzalez, do 34º, foram reeleitos apesar das mudanças feitas para beneficiar adversários republicanos. No 15º distrito, o democrata Bobby Pulido derrotou a deputada republicana Monica De La Cruz, que tentava a reeleição.
A aposta republicana considerava que o apoio de eleitores latinos ao partido se manteria no nível observado em 2024. A mudança de comportamento desse eleitorado, contudo, prejudicou as projeções que orientaram o redesenho dos distritos, segundo relatos sobre o resultado.
Na Carolina do Norte, alterações feitas para ampliar as chances republicanas em distritos democratas também deixaram outros representantes do partido mais expostos. Os republicanos perderam pelo menos cinco cadeiras, incluindo as de Richard Hudson, Tim Moore, Addison McDowell e Brad Knott. Don Davis, democrata do 1º distrito, também se reelegeu, embora os limites da área tivessem sido alterados para dificultar sua vitória.
No Tennessee, a divisão dos eleitores republicanos do 4º distrito entre áreas vizinhas reduziu a vantagem que o partido tinha ali. Uma análise dos novos limites, aprovados em maio, indicava que a margem de Donald Trump sobre Kamala Harris teria caído de 44 pontos percentuais para cerca de 24 na eleição presidencial de 2024. Na votação de terça-feira, a democrata Victoria Broderick derrotou o deputado republicano Scott DesJarlais por 280 votos, segundo projeções da imprensa americana.
As mudanças também não renderam aos republicanos os ganhos pretendidos na Flórida e no Alabama, onde democratas venceram em distritos redesenhados para favorecer seus adversários. Já na Califórnia, as alterações aprovadas por democratas em resposta à iniciativa de Trump ajudaram o partido a virar cinco cadeiras republicanas. Com a nova composição, os democratas assumirão o controle da Câmara em janeiro.