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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Quilombola e dois indígenas estreiam na carreira diplomática do Brasil

Os três tomaram posse no Itamaraty após concluir a formação; a turma de 2026 a 2028 reúne 60 diplomatas e tem participação inédita de indígenas e quilombolas.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Grupo diverso de diplomatas em cerimônia formal de posse em um salão oficial. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Grupo diverso de diplomatas em cerimônia formal de posse em um salão oficial.
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Helen Jaine Gomes Borgens, Marcelo Kariri Menezes e Idjahure Achkar Terena tomaram posse como diplomatas em cerimônia no Itamaraty, em Brasília. A turma de 2026 a 2028 tem 60 integrantes, incluindo duas pessoas indígenas e uma quilombola. O Ministério das Relações Exteriores atribui avanços na diversidade a medidas afirmativas, como bolsas de preparação para o concurso.

Pela primeira vez, uma quilombola e dois indígenas foram aprovados no concurso para a carreira diplomática brasileira. Helen Jaine Gomes Borgens, Marcelo Kariri Menezes e Idjahure Achkar Terena tomaram posse nesta quarta-feira, em cerimônia no Palácio Itamaraty, em Brasília, após concluir o Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco.

Os três integram a turma de 2026 a 2028, formada por 60 diplomatas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o grupo também reúne 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência e representantes das cinco regiões do país. A turma tem a maior participação feminina da história, afirmou a pasta, além de duas pessoas indígenas e uma quilombola.

Borgens nasceu na comunidade quilombola do Retiro, em Goiás, que faz parte da Associação de Comunidades Quilombolas Castelo, Retiro e Três Rios. Ela estudou em Simolândia e se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás. Depois da graduação, voltou à comunidade para se preparar para o concurso.

A diplomata contou à universidade que morar no interior dificultou o acesso a cursos especializados de preparação e que estudou por conta própria. Ela começou a considerar a carreira após o incentivo de um professor, durante a preparação para o vestibular, em 2017.

Natural de Campina Grande, na Paraíba, Menezes é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande e tem MBA em Digital Business pela Universidade de São Paulo, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Entre 2021 e 2025, trabalhou como engenheiro de suporte a produtos e também escreveu um livro infantojuvenil.

Na cerimônia, ele disse que havia, em sua família, a ideia de que pessoas como ele “enlouqueceriam se estudassem e deveriam ficar apenas nos trabalhos braçais”. Segundo Menezes, a mãe enxergou na educação “uma porta para a vida” e o incentivou a estudar.

Terena nasceu no Rio de Janeiro e é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Também tem mestrado na área pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e graduação em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Filho do artista Macsuara Kadiwéu, afirmou que sua presença no Itamaraty reconhece uma história de exclusão e tutela e defendeu que a diversidade étnica passe a integrar o Estado.

O concurso de admissão à carreira diplomática é organizado pelo Instituto Rio Branco, órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores. Os aprovados fazem o curso de formação, que dura de três a quatro semestres, e ingressam na carreira como terceiros-secretários. O ministério atribuiu os avanços na diversidade a medidas afirmativas, entre elas bolsas para preparação e a convocação adicional de mulheres entre as duas primeiras fases da seleção.

Fontes: O Globo

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