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Sábado, 24 de outubro de 2026

Milei deve reconhecer resultado só se Flávio Bolsonaro vencer

O Planalto avalia que o presidente argentino não aceitará uma vitória de Lula; a crise diplomática se agravou após acusações de fraude sem provas.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bandeiras do Brasil e da Argentina diante de edifícios diplomáticos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bandeiras do Brasil e da Argentina diante de edifícios diplomáticos.
Resumo em 30 segundos

Integrantes do governo brasileiro avaliam que Javier Milei só reconheceria o resultado da eleição se Flávio Bolsonaro vencer. O presidente argentino apoiou o senador e fez acusações sem provas contra Lula. A tensão levou o Itamaraty a reagir e os dois países reduziram o nível de representação diplomática em agosto.

O governo brasileiro não espera que o presidente da Argentina, Javier Milei, reconheça uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição deste domingo. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o argentino só aceitaria o resultado se o vencedor fosse o senador Flávio Bolsonaro (PL), a quem declarou apoio durante a campanha.

A expectativa em Brasília é de que Milei mantenha a postura adotada nos últimos meses, marcada por críticas a Lula. Na terça-feira, o presidente argentino insinuou, sem apresentar provas, que o petista poderia tentar fraudar a eleição. Em publicação nas redes sociais, disse esperar que o último recurso da campanha não fosse “roubar a eleição” e chamou Lula de “esquerdista ladrão”.

O Itamaraty respondeu com uma nota em que classificou as declarações como tentativa de interferência externa no processo democrático brasileiro. Integrantes do governo consideraram que Milei ultrapassou os limites do protocolo diplomático ao questionar as instituições e o sistema eleitoral do Brasil.

A tensão se intensificou em julho, quando Milei participou, em São Paulo, da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência. No evento, chamou Lula de “presidiário” e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois das ofensas, o Itamaraty convocou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli.

Em agosto, o governo reduziu o nível das relações diplomáticas entre os dois países. Desde então, Brasil e Argentina passaram a ser representados nas respectivas capitais por encarregados de negócios, em vez de embaixadores. A avaliação no Planalto é que a retomada de uma relação política mais próxima depende de uma mudança de postura do governo argentino.

Integrantes do governo não veem um eventual não reconhecimento do resultado por Milei como ameaça à continuidade dos procedimentos institucionais brasileiros. A expectativa é que outros presidentes da região, inclusive os de direita, reconheçam uma eventual vitória de Lula.

O reconhecimento diplomático de um resultado eleitoral por governos estrangeiros é uma manifestação política, mas não determina a validade da eleição brasileira nem substitui os procedimentos conduzidos pelas autoridades eleitorais do país. A decisão sobre a relação bilateral, por sua vez, cabe aos governos dos dois países; Brasília considera que os canais de comunicação têm sido fechados por Buenos Aires.

Fontes: O Globo, Estadão, Folha de S.Paulo

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