Estudante perde uma das mãos após explosão de granada na França
O jovem de 15 anos ficou ferido durante protestos por melhores condições de ensino em Lens; as circunstâncias da explosão ainda são investigadas.
Resumo em 30 segundos
Um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada perto de uma escola em Lens, no norte da França. O caso ocorreu durante protestos contra as condições de ensino. As autoridades investigam como o artefato explodiu. Nesta segunda-feira, 413 liceus estavam parcial ou totalmente fechados no país.
Um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos nesta segunda-feira, 5 de outubro, após uma granada explodir enquanto ele estava perto de uma escola em Lens, no norte da França. O episódio ocorreu durante protestos contra as condições de ensino, que levaram ao fechamento parcial ou total de centenas de liceus, como são chamadas as escolas de ensino médio francesas.
As autoridades disseram que o jovem não corre risco de morrer e foi levado a um hospital próximo. A sequência exata do ocorrido ainda está sob investigação. Uma fonte sindical policial afirmou que o adolescente pegou uma granada de efeito moral disparada pela tropa de choque e que o artefato explodiu em sua mão; outra versão relatada por uma fonte policial diz que ele teria tentado atirá-la de volta.
O prefeito do departamento de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, afirmou que um grupo de estudantes maior do que nos dias anteriores se reuniu diante da escola Auguste Béhal. Segundo ele, manifestantes lançaram pedras, fogos de artifício e morteiros contra policiais locais, e uma companhia de agentes antimotim foi enviada para manter a ordem. O incidente aconteceu nesse contexto, disse o prefeito.
Uma investigação sobre o ferimento será conduzida pela Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), órgão responsável por fiscalizar a atuação policial na França. A Liga Francesa de Direitos Humanos (LDH) criticou o uso da força contra manifestantes, muitos deles menores de idade. “Percebemos que, nas instruções dadas à polícia, não há diretriz para agir com moderação, embora estejam lidando com crianças”, afirmou Nathalie Tehio, presidente da entidade.
A escola Auguste Béhal anunciou que passará a oferecer aulas a distância para proteger alunos e funcionários. A instituição também informou que organizou um serviço de escuta e apoio à comunidade escolar.
Os protestos começaram em 17 de setembro, em uma escola de Créteil, nos arredores de Paris, em apoio a professores que faziam greve por falta de pessoal e recursos. Desde então, estudantes bloquearam entradas de escolas em várias regiões. Eles reclamam da ausência de professores, de horários sobrecarregados, de salas deterioradas e de prédios pouco adaptados às temperaturas em elevação.
O Ministério da Educação informou que 413 das 3.700 escolas de ensino médio do país estavam parcial ou totalmente fechadas na manhã desta segunda-feira. O número era 27% menor do que o registrado na sexta-feira, no mesmo horário, mas sindicatos estudantis mantiveram a convocação para uma nova jornada nacional de mobilização nesta terça-feira.
Em Paris, grupos de adolescentes protestaram diante de escolas, enquanto outros estudantes entraram para assistir às aulas. Um cartaz em frente ao liceu Turgot dizia: “Estamos perdendo nossas aulas para dar uma lição a vocês”. Em Bordeaux, parte dos alunos voltou às salas, enquanto outros permaneceram na rua sob vigilância da tropa de choque. Após fogos de artifício serem lançados em direção aos policiais diante do liceu Gustave Eiffel, os agentes responderam com gás lacrimogêneo; a situação foi descrita como calma no conjunto.
A mobilização também teve episódios de vandalismo e confrontos. Segundo o ministro da Educação, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas desde o início do movimento, e mais de 5.000 pessoas foram detidas; 85% delas eram menores de idade. Investigações internas foram abertas em pelo menos três casos de suspeita de violência policial.
O governo afirma que tenta responder às reivindicações, mas acusa ativistas de extrema-esquerda de se apropriarem do movimento. No domingo, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu orientou autoridades locais a priorizarem o preenchimento de vagas de professores ausentes por longos períodos e de cargos não ocupados. Ele convocou para terça-feira uma reunião com presidentes regionais para discutir reformas em prédios escolares, muitos deles em condições precárias.
O Executivo também defende um projeto de lei que responsabilizaria os autores de danos ao patrimônio público pelos custos dos reparos. Lecornu afirmou que os valores poderiam ser cobrados de auxílios familiares e benefícios habitacionais, com a preservação de uma renda mínima. A porta-voz do governo, Maud Bregeon, disse que os atos cometidos por jovens levantam a questão da responsabilidade dos pais. Sophie Binet, líder da central sindical CGT, criticou a proposta e afirmou que ela atingiria as famílias mais vulneráveis.
Para entender
- IGPN
- A Inspeção-Geral da Polícia Nacional é o órgão francês que fiscaliza a atuação da Polícia Nacional. Pode investigar suspeitas de irregularidades envolvendo policiais.
- Liceu
- Na França, liceu é uma instituição de ensino secundário, que atende estudantes antes do ensino superior. O termo costuma ser traduzido como escola de ensino médio.